Os  aquários marinhos se destinam a abrigar uma ou algumas das inúmeras comunidades que compõem a infinidade de biótopos encontrada nos oceanos.A diversidade deste conjunto de ambientes é tamanha que nos é impossível reproduzir a todos em nossos aquários domésticos. Em outras palavras, nas nossas residências podemos manter, com boas chances de sucesso, apenas três tipos básicos de comunidades marinhas.

Aquários destinados a manter exclusivamente peixes
Nestes aquários são mantidos peixes que por diversos motivos (que serão mais bem detalhados em nosso catálogo) não convivem bem entre si e/ou com invertebrados.

Aquários concebidos, especificamente, para a manutenção de invertebrados
De maneira geral, esse tipo de aquário é projetado e construído visando unicamente à manutenção, reprodução ou estudo destes curiosos animais.

Aquários montados visando à manutenção conjunta de uma seleção dos dois grupos de organismos acima mencionados:
Neste tipo de aquários encontram-se os admiráveis aquários de corais ou mini-reefs™, que se constituem em algumas das mais belas montagens de aquários marinhos que podemos conceber.

Rochas

Vivas

As “rochas vivas“ não são rochas no sentido exato da palavra, e sim concreções de aspecto esponjoso, mais ou menos friáveis compostas, quase exclusivamente, por carbonato de Cálcio e formadas principalmente por esqueletos de corais, moluscos e outros materiais semelhantes, os quais são agregados e “ cimentados “ por inúmeras espécies de algas calcárias. 

Tais algas de coloração avermelhada, rósea ou purpúrea, possuem o talo incrustante e impregnado de carbonato de Cálcio, atuando como verdadeira cola que une as partículas do substrato aos restos animais e vegetais, formando blocos rochosos, extremamente porosos, que servem de abrigo e habitat a um sem número de micro e macro organismos. 

Uma multidão destes, em sua grande maioria diminutos, povoam os aglomerados tanto externa como internamente, destacando-se quantitativamente as  bactérias, algas e espongiários. 

A camada superficial até uma profundidade entre dois e cinco centímetros, conforme o volume e a textura do bloco, é colonizada principalmente por bactérias aeróbias, enquanto que o núcleo, representa um substrato ideal para os microorganismos anaeróbios. 

Pedaços de recife (coral toca ) e blocos de coral mortos e degradados, muito embora não sejam “rochas vivas” também podem ser utilizados com igual resultado. Alguns aquaristas com alto grau de senso ecológico chegam a utilizar rochas artificiais, feitas com material calcário, também com muito bons resultados.

Substratos

PARA AQUÁRIOS MARINHOS

Aquários montados segundo as técnicas do sistema Berlin, não costumam contar com substrato de nenhum tipo, caracterizando-se pelo fundo completamente nu ou quando muito, contam com uma fina camada de 1 a 2 cm de cascalho de coral ou de Halimeda cobrindo o vidro. Entretanto, a exemplo do aquário de água doce, o substrato no aquário marinho, cumpre inúmeras funções de extrema importância, destacando-se a função estética, a função de habitat, nicho ecológico ou abrigo para inúmeros organismos bentônicos, a função de meio de suporte para colonização por bactérias e em última análise, a função de reservatório de calcário para lastro do sistema tampão. Sendo assim, na maioria das montagens adotadas em nosso país é utilizado um sistema híbrido, tentando-se obter as vantagens de vários sistemas diferentes.

Porém, para a manutenção de um valor adequado de reserva alcalina, não basta apenas a utilização de um substrato calcário, como se acreditou durante muito tempo. Na realidade, este tipo de substrato, especialmente quando novo, diminui a reserva alcalina, ao agregar, quimicamente, o carbonato de cálcio, retirando-o da solução. Felizmente com o passar do tempo, essa tendência a absorver o cálcio, diminui consideravelmente.

Muitos materiais são recomendados como substrato para aquários marinhos, tais como o cascalho de conchas, cascalho calcítico ou dolomítico, areia de Halimeda, cascalho de aragonita e especialmente o cascalho de coral, porém todos estes materiais podem manter, na melhor das hipóteses, um pH médio de apenas: 7.8. A diferença deverá ser compensada com o uso de tamponadores comerciais ou de preparação caseira, ou ainda, com aparelhos denominados reatores de cálcio. Os tamponadores podem ser adicionados diretamente á água do aquário ou na água de reposição.

O substrato marinho tem, paradoxalmente, uma função secundária muito importante, constituindo-se em verdadeira “armadilha” química, para os íons fosfato, os quais se ligam aos carbonatos de Cálcio e de Magnésio que compõem o cascalho, sem afetar as concentrações de carbonatos e bicarbonatos em dissolução na água, auxiliando - de certa forma - a preservar o sistema tampão.

Filtragem

EM AQUÁRIOS MARINHOS

Inúmeros processos biológicos ocorrem no interior dos nossos aquários, dentre os quais alguns dessamilativos ou destrutivos e, em conseqüência, um sem número de substâncias acabam por se dissolver e se acumular na água.

Essas substâncias denominadas, substâncias orgânicas são caracterizadas por possuírem átomos de Carbono em sua composição. Apenas para citar umas poucas, mencionemos as proteínas e os aminoácidos que as constituem, os fenóis, cresóis, gorduras, hormônios, vitaminas, carbohidratos, hormônios, ácidos orgânicos, carotenóides e outros pigmentos, etc....

Essas substâncias são referidas, na literatura especializada, pela sigla DOC (Carbono Orgânico Dissolvido) e muitas delas, quer isoladas ou em associação são responsáveis por graves efeitos prejudiciais, produzindo estresse e reduzindo a imunoresistência dos habitantes do aquário. Para minimizarmos os efeitos negativos destes processos, utilizamos os recursos de filtração ou filtragem e realizamos as atividades de limpeza e manutenção nos nossos aquários marinhos.

Suplementos

PARA USO EM AQUÁRIOS MARINHOS

São produtos utilizados para reposição (suplementação) dos nutrientes que são consumidos pelos organismos que mantemos nos aquários ou daqueles retirados ou denaturados pelos processos de filtragem.

Absolutamente necessários, pois além de muitos seres marinhos os consumirem em taxas relativamente muito altas são, ainda, retirados pela ação do skimmer.

Aquecimento e Refrigeração

PARA AQUÁRIOS MARINHOS

Devido ao imenso volume oceânico e à grande estabilidade térmica característica da água, a temperatura média, especialmente nos mares de coral, costuma ser muito estável, variando muito pouco no decorrer do ano.

A temperatura média dos mares de corais oscila por volta dos 24º Celsius e este fato deve ser levado em consideração quando formos instalar nosso aquário.Tenha em mente que os equipamentos utilizados nos modernos aquários marinhos, notadamente as bombas de água submersas e os sistemas de iluminação, transferem uma considerável quantidade de energia calorífera para a água.

E isso tem um efeito adverso, pois, entre outros fatores, a elevação da temperatura da água diminui a concentração de oxigênio dissolvido, visto que, quanto mais baixa a temperatura, maior a capacidade de dissolução dos gases em um líquido. Por outro lado quanto mais alta a temperatura, menor a quantidade de gases em dissolução e conseqüentemente de oxigênio disponível.