montagem

do aquário

1 - PONTOS A CONSIDERAR ANTES DE COMEÇAR

O erro mais comum que os aquaristas inexperientes cometem consiste em colocar mais peixes do que o aquário tem condições de suportar.

Quanto maior o volume do aquário, tanto melhor para nossos amigos aquáticos. Peixes, assim como eu e você, necessitam ingerir alimentos para obter as energias necessárias para a manutenção de seus processos vitais. Por mais eficientes que sejam a digestão e assimilação dos nutrientes contidos no alimento, sempre haverá ponderável volume de resíduos que deverão ser excretados. Tais dejetos se acumulam no interior do aquário, sendo submetidos a processos de degradação biológica, que ocasionam uma queda na qualidade da água.

Ou, dizendo a mesma coisa de outra maneira: Os peixes urinam, defecam e exalam gás carbônico exatamente assim como você e eu! E tudo isso vai ficar dentro do aquário prejudicando a qualidade da água até que alguém se lembre de fazer a limpeza. Agora diz aqui pra mim, assumindo que você somente colocou meia dúzia de peixinhos de 5 cm de comprimento no aquário e que os alimenta com consciência e parcimônia, qual aquário vai estar em melhores condições decorrida uma semana da instalação: aquele de 15 litros ou aquele de 60? Um volume de água relativamente grande permite uma maior diluição dos produtos de excreção dos peixes, dando-nos tempo razoavelmente dilatado para efetuar as operações de manutenção sem prejuízos sérios para os animais. Para aquaristas iniciantes a recomendação é adquirir um aquário entre 40 e 80 litros de capacidade. Por favor, atente para o fato que muito embora quarenta litros de água seja uma quantidade muito grande para se beber, É quantidade muito pequena para se viver o resto da vida! Para mais informações sobre a quantidade de peixes que seu aquário pode comportar com segurança. CLIQUE AQUI‍
Quantos peixes cabem no meu aquário? 

Uma grande variedade de organismos aquáticos pode ser mantida, confinada indefinidamente, dentro de um aquário. Dentre estes poderíamos citar plantas, moluscos, crustáceos, vermes, alguns insetos e extensa relação de outros invertebrados, porém, os mais corriqueiramente encontrados costumam ser os peixes. 

Um dos enganos mais comuns, praticado pelos novatos é adquirir um número excessivo de peixes e querer alojá-los dentro de um aquário de dimensões minúsculas. Para complicar as coisas a maioria dos peixes ornamentais que encontramos à venda em uma loja de aquários, se encontra na fase de alevino, ou seja, são peixes ainda filhotes, imaturos que ainda não atingiram seu desenvolvimento máximo. 

Ou, melhor dizendo, muito provavelmente o peixinho que você adquiriu para colocar no seu aquário (dependendo, obviamente, da espécie) ainda vai crescer alguma coisa, podendo dobrar, triplicar, quadruplicar... E assim por diante, de tamanho enquanto que seu aquário não vai crescer um centímetro sequer! Então a pergunta que você deverá fazer é: 

Quantos peixes podem viver, com qualidade de vida, no meu aquário? 

A resposta para essa pergunta é um pouco complicada, pois estamos lidando com seres vivos e cada espécie de peixe tem requerimentos vitais únicos (incluídos nestes, o espaço mínimo que necessita para viver), assim como distintos volumes corporais, metabolismo (com a conseqüente carga de resíduos gerados), metabolismo basal, nível de atividade e taxas de consumo de oxigênio associadas a esses parâmetros. 

Acho que nem preciso falar que um peixe que vive em água corrente e nada continuamente precisa de mais espaço que um peixe “paradão” que mora numa lagoa de águas paradas e não se afasta muito da loca onde se esconde para passar a noite... Ou preciso? 

Assim as regras que nos permitem calcular a população que um determinado aquário comporta são, necessariamente, arbitrárias e devem ser encaradas como orientação e nunca levadas ao pé da letra. Na dúvida, por favor, assuma a condição de “advogado do diabo” e sempre “chute” a mais e a favor do seu peixinho! Lembrando que cada tipo de aquário (aquários plantados e aquários marinhos, por ex.) têm suas próprias regras para o cálculo da população ideal. 

Para uma estimativa do número de peixes que pode habitar “sem neuras”, um aquário de água doce (específico –ou seja, para uma só espécie – ou comunitário – para peixes de espécies diversas), usa-se uma regra empírica que corresponde a um cm de comprimento de um peixe tropical por litro de água (alguns autores tiram a cauda do peixe para efeito de cálculo, eu não tiro!). Más, essa regra é válida somente para peixes tropicais de até 10 cm de comprimento. Peixes com o comprimento de 10 cm ou mais apresentam, na média, o dobro do volume corporal dos peixes menores e, assim dobraremos o volume de água destinado a eles. 

Para peixes de 11 a 15 cm você já deve prever dois litros de água por cm de comprimento do peixe (para um peixe com 11 cm de comprimento total daremos 22 litros e para um peixe de 15 cm o volume disponível será de 40 litros), 

Peixes com comprimento entre 16 e 20 cm precisam de 4 litros por cm (ou seja, 64 e 80 litros) e assim sucessivamente. Mediante este raciocínio é muito fácil de perceber que um Oscar do pantanal (Astronotus crassipinnis) com 25 cm de comprimento total precisa de um volume de: 25 cm x 8 litros/cm = 200 litros.

Para peixes de água fria estes valores deverão ser dobrados (ou seja, um mínimo de dois litros de água por cm de comprimento de peixe) logo de início e para peixes até 5 cm. E daí, pelo menos, quatro litros para peixes com mais de 6 cm de comprimento, seis litros para peixes com 11 cm ou mais, oito litros para peixes entre 16 e 20 cm, dez litros para peixes acima de 21 cm e assim por diante.

Então um kínguio de 30 cm de comprimento deveria ter à disposição pelo menos 480 (30 x 16) litros de água. E isso, porque as espécies de água fria atingem grandes dimensões e seu volume corporal aumenta de modo correspondente, e para sermos coerentes, deveremos aumentar o volume de água destinado a cada peixe de maneira proporcional.

Pega um paulistinha (Danio rerio) adulto com 5 cm de comprimento total (corpo + cauda), agora pega um kínguio (Carassius auratus) também com 5 cm de comprimento total. Pela regra do 1 litro para cada cm, teremos que cada peixe merece 5 litros de água, correto?

ERRADO! Observe bem e verá que a massa corporal do kínguio é (claro, isso depende da variedade – raça - de kínguio escolhida), pelo menos, de seis a doze vezes a massa do paulistinha, então, se formos coerentes deveremos destinar de 6 a 12 vezes mais água para o kínguio! Agora, note bem, um paulistinha de 5 cm é um exemplar acima da média, geralmente eles não passam de 4,5 cm, enquanto que um kínguio de 5 cm é um filhotão que vai, na pior das hipóteses, crescer entre três e seis vezes este tamanho (isso também depende da variedade* de kínguio que estamos falando!).

Vocês, com certeza notaram que os valores designados nas tabelas não são lineares, volto a lembrar que se trata de uma estimativa que pode variar de acordo com a espécie ou variedade considerada. No entanto, quanto mais próximo destes valores você chegar melhor será a qualidade de vida de seu peixinho!

Que acontece se você não acreditar no que escrevi acima e resolver pagar para ver? Bem, pode ser que você tenha sorte e passe por um bom período sem nenhum problema mais sério, más, eventualmente, chegará a hora em que o sistema de filtração e as manutenções não terão mais condições de “segurar” a qualidade da água e a consequência será um surto de doenças atrás do outro.

Ou então, caso falte energia elétrica por algumas horas (situação nem um pouco rara por aqui) você perderá peixes que só estavam sobrevivendo devido ao funcionamento contínuo e ininterrupto dos aparelhos elétricos (a aeração proporcionada pelo filtro, neste caso). Um aquário bem montado (qualquer tipo de aquário, seja marinho, doce, plantado, ou o que for) deve ter a capacidade de manter seus peixes vivos, e em bom estado, mesmo com o equipamento de filtragem desligado por, pelo menos, 24 horas.

* kínguio é um dos nomes populares (algo assim como um apelido regional, tipo Zé, Mané, etc.) de uma espécie de peixe cujo nome científico (poderíamos dizer que é “tipo um nome de batismo ou do RG”) é Carassius auratus. Existem muitas raças de kínguios (bolha d’água, cabeça de leão, oranda, riukin, telescópio, etc.), assim como temos muitas raças de cachorro (pequinês, São Bernardo, pastor alemão, galgo, etc.) que também derivam de um só animal denominado Canis familiaris.
2 - VERIFICANDO A RESISTÊNCIA DO SUPORTE

Já escolhemos o local onde o aquário será instalado, o próximo passo consiste em verificar a resistência e estabilidade do suporte [mesa, móvel, estante, rack, etc...], onde montaremos nosso aquário. 

Esse suporte ou base deverá estar perfeitamente nivelado e deverá ser construído de maneira a suportar bastante peso. Muitos acidentes, resultando em vazamentos ou ruptura dos vidros, decorrem do aquário ter sido colocado sobre um suporte mal dimensionado para o peso ou fora de nível. É conveniente que a base de suporte tenha sido construída especificamente para este fim.

No Brasil, devido ao preço e facilidade de confecção, a maioria dos aquários é feita de vidro, que é um material relativamente pesado (seu constituinte principal é areia e seu peso específico é perto de 2,5 gramas por cm3, ou seja, um metro quadrado de vidro com 10 mm de espessura pesa perto de 25 Kg). 

A água pesa um quilo para cada litro (1 grama por cm3) e o cascalho (que também é areia, só que mais grossa) pesa um pouquinho mais (1,37 gramas por cm3). Claro que a quantidade de cascalho vai depender do gosto estético de cada aquarista, mas, de maneira geral, o pessoal costuma colocar uma camada com espessura variável por volta de 4 e 5 cm, o que nos dá entre 54,5 a 68,5 kg para cada m2 de área de aquário. Um aquário medindo 150 cm de comprimento por 50 cm de largura e com 60 cm de altura pesa: 78 Quilos e 750 gramas só de vidro. Seu volume interno é de 450 litros e assumindo-se uma camada de cascalho com 5 cm de espessura, somaremos mais 50 Kg só de pedrinhas o que perfaz até agora uns 560 Kg (ou um pouco mais de meia tonelada). 

Até agora não levamos em consideração o peso adicional da decoração, e mesmo sabendo que para cada objeto colocado dentro do aquário um volume correspondente de água terá que sair, o peso deste hipotético aquário poderia passar tranquilamente dos 600 Kg. Se o aquário não estiver sobre uma base forte e bem nivelada poderá sofrer uma ruptura de vidro ou vazamento. Este é um dos motivos pelos quais não é recomendável a instalação de aquários por sobre aparelhos elétricos ou eletrônicos, de qualquer natureza, pois um eventual vazamento poderia causar lamentáveis transtornos. Para mais informações sobre o tema CLIQUE AQUI
Além das considerações feitas sobre a resistência do suporte e sobre o peso dos aquários devemos verificar se a superfície sobre a qual o aquário será apoiado é plana e está bem nivelada

Isso é mais importante do que parece, visto que mesmo um ligeiro desnível pode ocasionar uma pressão excessiva da água em uma das paredes ou arestas do aquário, problema este que combinado a uma espessura inadequada do vidro, uma imperfeição ou falha na colagem, ou mesmo a trepidação causada pelo transito de veículos pesados nas proximidades pode dar origem a um rompimento da vedação, e consequentemente a um vazamento.

Evite bater o aquário quando for transportá-lo, lavá-lo ou posicioná-lo no móvel ou suporte. Uma pequena lasca ou trinca na quina de um dos vidros pode se transformar em uma importante rachadura que (dependendo da localização) pode esgotar (boa parte, ou mesmo toda a água de) um aquário de 80 a 100 litros de capacidade em poucos minutos.

Assegure-se de usar uma placa de isopor (pelo menos, um cm de espessura para aquários de até um metro e dois ou mais cm para aquários maiores) ou de borracha EVA (Acetato Etil-vinílico) embaixo do aquário servindo como colchão absorvente de trepidações. Cuide para que nenhum material estranho (grão de cascalho, prego ou parafuso, etc.) seja esquecido debaixo do aquário. Muitas rachaduras no vidro de fundo do aquário têm origem em objetos que ficaram por debaixo do aquário.
3 - FINALMENTE VAMOS À MONTAGEM 

Primeiramente devemos verificar se temos todos os ingredientes necessários ao nosso projeto. Um aquário simples, mas bem montado deve contar com uma fonte de aquecimento (aquecedor controlado por termostato), um sistema de filtragem (algum tipo de filtro interno ou externo) para manter a água limpa e oxigenada, um eficiente sistema de iluminação, adequado ao tipo de montagem de aquário escolhida e uma série de complementos (substrato, rochas, troncos e demais objetos decorativos) que apesar de não contribuir, de modo direto, para manutenção da qualidade da água tem algum valor estético e um grande efeito psicológico sobre os peixes evitando ou diminuindo boa parte do estresse ao qual os animais confinados costumam estarem sujeitos. Confira aqui os diversos tipos de montagem de aquários. CLIQUE AQUI
Existem 3 tipos básicos de aquários: Os aquários de água doce, os aquários de água salgada e os aquários de água salobra. Cada um destes pode ser montado do modo convencional (informal) ou conforme um dentre diversos estilos ou temáticas a escolher.

Quando bem montado e submetido a uma manutenção adequada, um aquário pode reproduzir ou simular, por períodos indefinidos de tempo, os mais diversos ecossistemas aquáticos em miniatura, nos quais podem ser reproduzidos (ao menos de forma parcial) todos os grandes ciclos naturais que caracterizam nosso planeta.

Os aquários de montagem convencional costumam abrigar peixes oriundos de ambientes aquáticos diversos ou diferentes partes do globo, sendo também conhecidos (em virtude disso) de aquários comunitários. Ou seja, o aquarista adepto deste tipo de aquário costuma formar uma comunidade heterogênea chegando mesmo a misturar espécies incompatíveis, ou com necessidades físico-químicas muito diversas, como, por exemplo: misturar kínguios com cardinais ou com acarás-bandeira!

Isso é o tipo de coisa que não devemos fazer, pois, estes peixes têm necessidades vitais muito diversas. Os kínguios são peixes de água alcalina (pH: 7.2 a 7.6) e fria (vivem melhor entre os 18 e os 24 graus Célsius), enquanto que os cardinais (também conhecidos – erroneamente – como neons), bem como os acarás-bandeira já preferem uma água ácida (pH: 6.2 a 6.8) e com uma temperatura de 26 a 28 graus Célsius. Claro está que se você der as condições que o kínguio precisa para viver bem estará maltratando os outros peixes e vice-versa!

Já os aquários temáticos seguem algumas regras de estilo e, via de regra, apresentam uma estética mais apurada, visando reproduzir com fidelidade porções de ambientes naturais. É o caso dos aquários de biótopo que pretendem simular (com a utilização de peixes e plantas ocorrentes na região retratada) barrancas de rio, costões rochosos, praias arenosas, leitos de riachos torrentosos e localidades similares, bem como os magníficos “jardins aquáticos”, nos quais o aquarista se esmera em obter o melhor efeito estético, praticando a arte da topiaria nas plantas aquáticas, e os paludários (aquaterrários onde parte do recinto é destinada à porção aquática e o restante a uma composição de ambiente terrestre). Você pode ter mais informações sobre paludários (também conhecidos como ripários ou aquaterrários) visitando nossa seção de terrários
4 - COLOCANDO A MÃO NA MASSA 

Antes de proceder à montagem do aquário devemos fazer uma boa limpeza em todos os componentes e acessórios. Lave bem o aquário somente com água e o auxílio de uma esponja de limpeza. Lave também o cascalho em água corrente até que esta escorra límpida. Qualquer objeto ou adorno (desde que adequado e seguro para uso em aquário) que pretenda introduzir também deverá ser bem lavado, somente em água corrente. “NUNCA UTILIZE SABÃO, DETERGENTES ou OUTROS PRODUTOS PARA LIMPEZA”.

Coloque o aquário em seu suporte. Agora coloque o substrato selecionado (cascalho ou areia grossa, etc.), que servirá de substrato (ou meio de retenção para as plantas naturais ou artificiais), formando um desnível da parede traseira para a parede frontal do aquário. Esse declive auxilia no efeito estético da montagem. 

Complete a decoração, dispondo as rochas, enfeites, plantas plásticas (as plantas naturais serão mais facilmente plantadas com o aquário cheio pela metade), e o que mais desejar, dando seu toque pessoal. Instale o equipamento elétrico que funciona em contato com a água, ou seja, o filtro externo motorizado e o aquecedor, mas sem ligá-los na tomada. 

Existe outra variante desta montagem que utiliza um Filtro Biológico de Fundo (FBF) como filtro principal associado a um segundo sistema de filtragem (filtro interno ou externo) como filtragem auxiliar. Caso você opte por montar um FBF, lembre-se que este deverá ser colocado antes da introdução do cascalho (o qual será espalhado uniformemente por cima das placas do FBF em uma espessura nunca menor que 5 cm). O cascalho selecionado para esse tipo de montagem deverá ser o cascalho de granulometria média. Cascalho fino ou areia não devem ser utilizados, pois escorrem pelas frestas das placas do FBF, causando entupimento do espaço existente por debaixo das placas (plenum),  impedindo a circulação da água e consequêntemente o funcionamento do sistema. Para mais informações sobre sistemas de filtragem e suas aplicações. CLIQUE AQUI‍
Etapas de Filtração

Necessitamos de filtração em nossos aquários porque apenas efetuar as trocas parciais de água, geralmente não basta para manter uma boa qualidade de água, especialmente quando nossos aquários são de pequeno volume ou estão superpovoados. Peixes, a exemplo de todas as outras formas vivas, se alimentam para permanecerem vivos, saudáveis, ativos e aptos ao crescimento e à reprodução. Alimento é o nome que damos a variadas combinações de nutrientes, que são as substâncias utilizadas na formação de todos os tecidos vivos, quer sejam estes animais ou vegetais, tendo, além disso, um papel imprescindível em todas as complexas reações químicas que compõem o fenômeno denominado vida.

Um alimento bem balanceado é composto por cinco classes de nutrientes: proteínas, gorduras (lipídeos), carboidratos (açúcares), vitaminas e sais minerais. Alguns nutricionistas incluem no rol dos alimentos também as fibras, muito embora estas não sejam digeridas (aqui também, como de resto em tudo na vida existem exceções. Certas espécies de “cascudos”, os xilófagos, se alimentam principalmente de fibras de celulose) e atuem apenas como um estimulador da atividade intestinal. Uma vez ingerido, o alimento é submetido ao processo digestório que tem a finalidade de decompor o alimento em seus componentes básicos para facilitar a sua assimilação.

Por mais eficientes que sejam esses processos de digestão e assimilação sempre sobram restos, não aproveitados, que formam o chamado bolo fecal, eliminado pelos intestinos. A parte assimilável, absorvida pela corrente sangüínea, segue para as células para nutrir, fornecer energia e manter todos os processos fisiológicos e metabólicos dos peixes. Estes processos também tem sua quota de resíduos, que são os compostos nitrogenados ou, mais propriamente, os excretas nitrogenados: amônia, creatina, creatinina, ureia e outros semelhantes.

A amônia (que é o gás amoníaco, cuja fórmula química é NH3) é um resíduo muito tóxico e também muito solúvel em água, consumindo uma grande quantidade deste líquido para ser excretada, devido a isso é a forma de excreção adotada pelos organismos aquáticos, os quais não têm problemas com a elevada demanda de água que o ato excretório requer, visto estarem submersos nela.

Assim sendo, temos dois tipos de produtos de excreção (sólido e líquido) que deveremos retirar de nossos aquários e para isso nos utilizamos da filtragem e da sifonagem. Quanto à sifonagem (que, basicamente é um processo de exportação, ou seja, retirada de sujeira do aquário) já dissemos alguma coisa lá atrás. E quanto à filtragem diremos que consiste em um processo de limpeza e depuração dos resíduos orgânicos, constituídos por restos de alimentos, fezes, folhas mortas, urina, etc., diluídos ou mantidos em suspensão na água do aquário.

Atenção aqui, por favor, queiram notar que a filtração ou filtragem só atua sobre as partículas de imundícies que estão suspensas, flutuando livremente na água e não naqueles dejetos, mais pesados, que se acumulam no fundo do aquário. Para a retirada destes, não existe nenhum equipamento que faça o servicinho sujo, então, qualquer que seja o seu aquário (água doce, salgada ou salobra) o melhor equipamento de limpeza à sua disposição, no presente momento, é:

Você mesmo! Sim, você!... O dono do aquário !!!!. E, você, dono do aquário vai limpá-lo, com o auxílio de um sifão, uma vez por semana, conforme descrito no tópico denominado manutenção! Ah, não tem tempo? To falando asneira? Existem controvérsias? Minhas condolências! Deus tenha piedade dos seus peixes!

Um fato deveras lamentável e que alguns lojistas fomentam, ainda hoje em dia, por desconhecimento ou sei lá que outro motivo? (acredito que é pelo fato de que esses peixes não primam lá pela beleza e de outra forma, fica um pouco difícil vendê-los) é a crença que existem peixes faxineiros cuja única e exclusiva função na vida é limpar o seu aquário.

Será que ainda existe alguém que acredita nessa estória da carochinha? Imaginem introduzir um Corydoras numseidasquantas*, em seu aquário para manter o cascalho limpo de restos de ração e demais sujidades. O peixe realmente se alimenta no fundo e vai consumir os restos deixados pelos outros peixes, mas também vai defecar e quem vai limpar essa nova sujeira? Outro peixe? !!!

Más, continuemos com a filtragem que podemos dividir em três tipos ou etapas básicas:

a) Filtração mecânica, efetuada por intermédio de qualquer material que funcione como uma tela ou peneira, retendo partículas de sujeira que estejam em suspensão na água do aquário. Utiliza-se para esse fim um elemento filtrante composto por lã acrílica (Perlon™), espuma de poliéster (esponja sintética) ou outros meios de características semelhantes. Esse elemento deve ser o primeiro a ser instalado no filtro, ou seja, a água deve passar primeiramente pelo elemento mecânico, que atuará retendo as partículas maiores de imundícies. Por esse motivo essa etapa de filtragem é também denominada pré-filtragem e a mídia também é conhecida como pré-filtro.

b) A filtração química refina ainda mais a filtragem mecânica retirando partículas muito pequenas de sujidades em dissolução, que escaparam a ação dos elementos filtrantes mecânicos. Por meio desta filtragem, através de fenômenos químicos como a adsorção e a catálise, removemos os odores (partículas de cheiro), pigmentos (partículas que conferem cor à água) e gases. São elementos filtrantes químicos o carvão ativado, os adsorventes de amônia (também conhecidos como zeólitos) e ainda outros. O objetivo destes dois tipos de filtragem é diminuir ao máximo possível, a carga de substâncias orgânicas em dissolução, antes que estas passem pelo processo de degradação promovido pelos organismos decompositores. Essa etapa é instada na sequência da etapa de pré-filtragem, ou seja, por ela vai passar a água já isenta das sujeiras de maior tamanho.

c) E finalmente, a menos compreendida e mais importante etapa de filtragem: A filtração biológica que transforma a urina dos peixes em compostos muito menos tóxicos e é levada a efeito por dois grupos de bactérias muito especiais denominadas: bactérias nitrificantes, as quais reduzem compostos orgânicos nitrogenados, como a amônia e o nitrito transformando-os em nitratos. Para tanto estas bactérias necessitam de uma superfície onde fixarem-se e boas quantidades de oxigênio, daí serem chamadas de bactérias aeróbias (só vivem na presença de oxigênio). A superfície de fixação (que podemos comparar a uma espécie de edifício de apartamentos para as bactérias morarem) pode ser qualquer material que apresente uma grande área de superfície onde as bactérias se agarrarão. Como exemplo deste tipo de mídia filtrante temos as cerâmicas (incluindo aqui o Siporax), os bio-balls, as esponjas, etc. Esta etapa recebe a água já limpa das sujeiras que estavam em suspensão e vai lidar apenas com as substâncias dissolvidas (amônia e nitrito).

* esse peixe não existe, trata-se de um nome científico fake usado aqui com sentido meramente ilustrativo.

Filtro Biológico de Placas (FBF)

O modo mais simples e econômico de fazer uso destas bactérias é instalando um filtro biológico de placas ou filtro biológico de fundo (o famoso, controverso e até maldito, segundo a opinião de alguns, FBF). Consiste este em uma armação de placas perfuradas cobrindo o fundo do aquário, com a função de criar condições para o estabelecimento de uma próspera colônia das bactérias nitrificantes.

Uma ou mais dessas placas, dependendo do comprimento do aquário (normalmente uma a cada 50 cm de comprimento), dispõe de um adaptador onde é encaixado um tubo, denominado torre do filtro biológico, cuja função é canalizar a água e servir de suporte, ou conduto, para o dispositivo de acionamento, que pode ser uma bomba submersa ou um compressor que injeta ar sob pressão mediante uma mangueira de fino calibre e um acessório denominado pedra porosa. Este dispositivo promove a circulação da água através do cascalho, provendo as bactérias de alimento (amônia) e do oxigênio vital para a sobrevivência destes microorganismos.

Essas bactérias são sésseis (são fixas, gostam de ficar paradas e se locomovem com lentidão) e se alojam superfície dos grãos de cascalho, envolvendo-o com uma gosma (mucilagem - a famosa zoogléia ou placa bacteriana) excretada por seus corpos.

Note-se que a função do FBF é “processar” e inativar os resíduos nitrogenados (amônia e nitrito), em dissolução na água do aquário. A circunstância de que a circulação forçada da água através do cascalho promove a retenção e acúmulo de resíduos e dejetos em meio a este, não o torna o FBF um filtro mecânico. Ou seja, um filtro biológico de placas não é e jamais deverá ser utilizado como filtro mecânico, e para que possa funcionar corretamente deverá ser mantido limpo, mediante uma sifonagem assídua dos detritos nele acumulados.

Caso não façamos essa limpeza periódica correremos o risco de transformar um recurso extremamente útil, em uma verdadeira fossa negra nas palavras de alguns de nossos mais insignes aquaristas patrícios. O acúmulo de resíduos, excrementos e detritos na cama do FBF (camada de cascalho) impede a livre passagem da água e consequentemente, a correta oxigenação da referida cama, criando zonas e bolsões anóxicos (com baixos níveis de oxigênio) favorecendo a proliferação de bactérias perigosas.

Filtragem Biológica sem o Filtro Biológico?

É possível ter uma filtragem biológica de qualidade sem usar o filtro biológico de placas? Sim! Desde que você tenha algum outro aparelho de filtragem (vulgarmente denominado: filtro) que disponha da etapa biológica, ou seja, com algum elemento filtrante biológico com grande área de superfície para alojar as bactérias (que são o verdadeiro filtro) e que permita a passagem da água através do elemento, trazendo o oxigênio e o alimento (NH3 ou amônia).

A rigor, em um “filtro biológico” (em qualquer “filtro biológico”), seja FBF, Wet-Dry, filtro de bactérias modular, de areia fluidizada, ou seja, lá o que for, podemos considerar que temos, na realidade, dois “filtros biológicos” funcionando em paralelo. Poderíamos dizer: o filtro biológico do bem e o filtro biológico do mal.

O grupo do bem é composto por algumas poucas espécies de bactérias químioautotróficas nitrificantes que processam resíduos de excreção nitrogenados, e anote isso: é o único tipo de filtração que lida com amônia. Certo, eu disse logo ai acima que existem os elementos filtrantes químicos que adsorvem a amônia (e existem outros, ainda, que adsorvem os nitritos ou os nitratos), mas, como solução definitiva e econômica, nada supera a filtragem biológica! Lembre-se que os elementos filtrantes químicos saturam (entopem) com alguma rapidez e devem ser substituídos ou regenerados com frequência, enquanto que as colônias de bactérias do filtro biológico poderão ser mantidas indefinidamente tão somente com a simples execução da manutenção regular.

E o outro grupo é composto por uma miríade de organismos decompositores que não se ocupam da amônia e muito pelo contrário, só agravam o problema, pois reduzem (decompõem) matéria orgânica mediante um processo conhecido como amonificação, ou seja, geram amônia no processo de decomposição! E o que é pior, alguns membros desse grupinho são da pesada. São os organismos conhecidos como patogênicos (capazes de causar doenças) facultativos (podem ou não causar doenças dependendo das condições ambientais) ou oportunistas (se aproveitam de qualquer oportunidade, inclusive a de causar doenças).

No meio ambiente estas bactérias e outros organismos decompositores (como os fungos e similares, por ex.) são muito importantes e necessários. Imaginem a quantidade de cadáveres que existiriam em nosso planeta se não houvesse a decomposição de seus corpos. Já imaginou nadar em um mar de moscas mortas? Isso para não falar nos elefantes, hipopótamos, cavalos e outros bichos grandes! Gente então? Haveria lugar para enterrar esses corpos? Certamente seria muito complicado, mas graças aos Céus e a essas bactérias nosso mundo é razoavelmente limpo. Só que em nosso aquário não é salutar permitirmos que essa parte do ciclo natural seja realizada.

Essas bactérias se alimentam de matéria orgânica e como seres unicelulares que são se reproduzem por divisão, dobrando de número a intervalos de poucos minutos a poucas horas. Chega uma hora que a população de bactérias é tão grande que não há esterco de peixe ou resto de ração que chegue. Pronto, acabou-se a comida! Onde essa multidão de seres famintos vai encontrar mais matéria orgânica para comer? Acertou quem disse: nos nossos pobres peixinhos.

Essas bactérias se alimentam de matéria orgânica e como seres unicelulares que são se reproduzem por divisão, dobrando de número a intervalos de poucos minutos a poucas horas. Chega uma hora que a população de bactérias é tão grande que não há esterco de peixe ou resto de ração que chegue. Pronto, acabou-se a comida! Onde essa multidão de seres famintos vai encontrar mais matéria orgânica para comer? Acertou quem disse: nos nossos pobres peixinhos. É lógico que o peixe não está exatamente, indefeso, ele é portador, exatamente como eu e você, de um sistema imunológico efetivo, que garante que ele não fique doente por dá aqui aquela palha. O problema é que, como diz um antigo dito popular: “desgraça pouca é bobagem”.

Essas bactérias se alimentam de matéria orgânica e como seres unicelulares que são se reproduzem por divisão, dobrando de número a intervalos de poucos minutos a poucas horas. Chega uma hora que a população de bactérias é tão grande que não há esterco de peixe ou resto de ração que chegue. Pronto, acabou-se a comida! Onde essa multidão de seres famintos vai encontrar mais matéria orgânica para comer? Acertou quem disse: nos nossos pobres peixinhos. É lógico que o peixe não está exatamente, indefeso, ele é portador, exatamente como eu e você, de um sistema imunológico efetivo, que garante que ele não fique doente por dá aqui aquela palha. O problema é que, como diz um antigo dito popular: “desgraça pouca é bobagem”. Geralmente o aquarista neófito, por ignorância, desleixo ou desinformação (obtida de balconistas, lojistas ou colegas de afiliação tão mal informados quanto ele) não efetua as necessárias operações de manutenção e limpeza do aquário, resultando em um acúmulo muito grande de sujidades. Um belo dia, esse cidadão ou cidadã olha para o aquário, se dá conta que o mesmo se encontra em lastimáveis condições de higiene e com a melhor das boas intenções, resolve fazer sua boa ação anual.

Em resumo, os peixes são retirados do aquário, e este é escrupulosamente lavado, muitas vezes com sabão, detergente (Argh!) e em alguns casos até com água fervente (já vi isso – e adivinha o que acontece quando você verte água fervendo no vidro?!). Enfim, água limpa, nova, recém saída da bica, fresquinha.

Se o nosso amigo aquarista se preocupou ou não com o valor do pH e com a temperatura, realmente não importa muito, pois o “baque” que essa limpeza drástica ocasionou, já detonou o sistema imunológico do peixe, e algumas daquelas incontáveis bactérias criadas pelo desleixo, e que estavam, “casualmente”, sobre a pele do peixe tem acesso garantido ao seu interior onde vão causar problemas muito sérios, seguidos muito provavelmente, caso nenhum tratamento efetivo seja adotado sem demora, pelo óbito dos animais afetados.
5 - BASTA ADICIONAR ÁGUA? 

Muitas pessoas usam água mineral para encher e fazer as trocas de água do aquário. Isso não é necessário (e nos casos daquelas águas minerais com alto teor mineral, até perigoso). A melhor água para usar em seu aquário é aquela que se encontra mais “à mão”, ou seja, a água de torneira mesmo. Porém ela deverá ser tratada antes de ser empregada, estando isenta de cloro e com o pH e a temperatura ajustados. Para eliminar o cloro e ajustar a “química” da água de acordo com as necessidades particulares de seus peixes existem diversas marcas de condicionadores. Quando em dúvida não hesite em consultar um lojista de sua confiança. Para mais informações sobre água e condicionadores. CLIQUE AQUI‍
‍Encha o aquário com cuidado para não estragar a decoração (utilize folhas de jornal, uma tigela funda, ou a própria mão em concha para quebrar o jato de água.

Condicionamento da água para as trocas

Como vimos no item referente à manutenção devemos retirar o máximo de sujeira que acumula do aquário aproveitando para trocar um terço do volume do aquário ao mesmo tempo. Dependendo do volume do seu aquário essa porcentagem representa um bom bocado de água (para cada 100 litros, lá se vão perto de uns 30 litros – já descontados o os volumes relativos ao cascalho e decoração).

Neste caso também o tamanho do aquário tem alguma importância no percentual de água a ser trocada. Para aquários de grande porte (acima de 500 litros) e com uma população compatível (um casal de Oscar – Astronotus ocellatus – de 30 cm de comprimento total) o volume de água trocado cai para 25% (125 litros) uma economia real de 25 litros. Para aquários acima de 1500 litros de volume, desde que não super povoados e submetidos a um arraçoamento (fornecimento de ração) criterioso (sem excessos) o volume de água trocada semanalmente poderá ser de 10% (150 litros).

Esse valor: 10% do volume do aquário (Atenção: somente para aquários de volume acima de 1500 litros com uma carga compatível de peixes e adequadamente mantido) é o menor valor com que podemos trabalhar. É realmente muito difícil manter um aquário com uma população saudável de peixes por um período indefinido de tempo trocando-se uma menor percentagem de água a cada semana.

Jogar tanta água fora?

Ainda mais com a água tão cara e com essa crise de abastecimento, agravada pela seca e pela má gestão dos recursos hídricos e tudo mais?

Complicado, né? Bem, não é obrigatório jogar essa água diretamente no esgoto, você sempre pode aproveitar essa água para reuso, do mesmo modo que muitas pessoas estão aproveitando a água da lavagem de roupas para dar a descarga no vaso sanitário, por ex. Uma destinação mais “ecológica” consiste em aproveitar a água das trocas para regar o jardim ou o gramado (caso você tenha a sorte de possuí-los), ou mesmo as plantinhas de vaso da patroa ou a horta caseira (existem até sistemas comerciais que consorciam a criação de peixes com a produção de hortaliças).

A água do aquário é naturalmente adubada contendo boa quantidade de fosfato, nitrato e outros nutrientes importantes para as plantas. Claro que para esse fim você somente deverá utilizar água doce, pois a água salgada ou salobra tem efeito adverso para as plantas, mesmo com índices de salinidade muito baixos. Se, por ventura, você teve que tratar de algum episódio de doença em seu aquário, a água com medicamentos também não deverá ser utilizada para aguar plantas (mas sempre pode ser usada na descarga!).

A água dentro do aquário sofre uma série de mudanças em suas características químicas, pois os seres que nela habitam liberam inúmeras substâncias (além dos excretas, já sobejamente citados anteriormente, um “monte” de outras coisas como hormônios, sais minerais, proteínas - especialmente muco epitelial, ácidos, gorduras e óleos, etc.).

Somemos a tudo isso as inumeráveis substâncias, geradas durante os processos de decomposição, que não são passíveis de uma redução (degradação) completa e cujos resíduos tendem a se acumular até atingir concentrações perigosas. E não nos esqueçamos que o processo de nitrificação (a filtração biológica), de per si (por si mesma) acidifica a água, consome sua reserva de tamponadores e altera seu equilíbrio osmótico.

Esses fatos somados se constituem no melhor argumento em favor das trocas, parciais e periódicas (semanais) da água do aquário, mesmo quando utilizamos produtos reputados como especialmente formulados para evitar ou retardar essas trocas.

Como foi dito logo no início, a melhor água para uso em nossos aquários é aquela que temos à mão. O que significa que nas grandes cidades devemos recorrer àquela proveniente da rede pública de abastecimento. Nas pequenas localidades ou nos subúrbios e na zona rural, não é incomum o uso de água proveniente de poços, minas e lençóis freáticos de pequena profundidade.

A água de torneira (in natura), ou seja, exatamente como sai da bica direto da rua, não é adequada para uso imediato em aquários, visto que além dos desinfetantes e alcalinizantes que costuma conter apresenta um excesso de gases (ar) dissolvidos sob alta pressão (em virtude do sistema de bombeamento empregado nas centrais distribuidoras) e a proporção entre o oxigênio e o gás carbônico está em desequilíbrio em relação àquela encontrada na atmosfera.

Sob tais condições o valor de pH é instável e a pressão dos gases em dissolução pode causar embolias gasosas nos peixes. Para evitarmos estes problemas deve-se deixar a água em repouso ou aerá-la por algumas horas para depois efetuar a verificação dos valores do pH.

Outro problema, um tanto mais sério, é que, independentemente de sua origem a água pode, em maior ou menor proporção, estar contaminada por/ou conter resíduos de metais pesados, agrotóxicos, poluentes industriais e mesmo gases de alta toxicidade, como o radônio ou cloramina! (Éh, meu!... Melhor nem pensar!). E não é raro que contenha níveis elevados de fosfatos e/ou silicatos, compostos que são ótimos adubos para as algas.

A solução mais simples e econômica consiste em empregar um condicionador de água. Existe uma série deles (de diversas marcas, cores e sabores) alguns se propondo a fazer verdadeiros milagres. O mínimo que podem e devem fazer é neutralizar o Cloro, a cloramina e os metais pesados, sendo que alguns, “de lambuja”, ainda se propõem a aliviar o estresse e aumentar ou recompor a camada de muco que protege os peixes contra infecções epiteliais (infecções na pele).

Apesar de o condicionador atuar de maneira quase instantânea, o ideal é contar com um recipiente (balde, tambor, bombona, caixa de água, etc. – de PVC ou outro material plástico atóxico) com capacidade mínima igual a 30 ou 40% do volume do aquário, para efetuar a maturação da água que será empregada nas trocas.

Digamos que você acabou de montar seu aquário hoje, se você seguir as orientações dadas aqui neste site terá que esperar um período mínimo de uma semana, com todo o equipamento funcionando e sem colocar os peixes para que os parâmetros (condições da água se estabilizem). Aproveite e já encha o recipiente onde ficará a água para as TPAs (trocas parciais de água).

A partir da introdução dos peixes começa a contagem regressiva para a primeira manutenção (que idealmente ocorrerá 7 dias após a entrada dos peixes, ou no primeiro dia livre que você tiver, dentro deste prazo). Você vai usar o sifão para tirar a sujeira acumulada em meio ao substrato e trocar a água enquanto aspira os detritos.

Certo, você já tirou um terço do volume de água, agora vai repor a água que tirou. Agora, muito cuidado aqui, a água que você tirou do aquário tem algumas características que podem ser muito diferentes daquelas da água armazenada para as trocas.

A água de reposição deverá ter o mesmo valor de pH, a mesma temperatura e a mesma quantidade de sal (se for o caso) que a água do aquário. Por isso que é recomendável armazenar a água para trocas. Assim você pode alterar as características da água antes de iniciar a manutenção. Para isso você deve medir o pH, com pelo menos dois dias de antecedência e efetuar os ajustes que se façam necessários (se você alguma vez leu as instruções de uso de um acidificante ou alcalinizante, verá que estes produtos não tem uma ação imediata e que cada correção.
6 - FINALIZANDO A MONTAGEM 

Coloque as tampas de vidro e instale o sistema de iluminação (calha, luminária, spots, tampa de móvel, etc.). Quanto à iluminação, convém lembrar que as plantas vivas necessitam de um mínimo de 0,5 Watt de potência luminosa, por litro de água do aquário. Ou seja, se você tem um aquário de 120 litros de volume, a quantidade mínima de lâmpadas indicada é de duas lâmpadas de 30 Watts. Isso é claro, para aquários de montagem tradicional porque para os aquários plantados (tipo Nature Aquarium™, Aquário Holandês ou Jardins Aquáticos) a quantidade mínima de luz equivaleria a 1 W/Litro. Para mais informações sobre iluminação e seu papel no aquário. CLIQUE AQUI‍
O papel da luz em nosso aquário.

A luz tem um papel vital em muitos aspectos de nosso hobby. Sem uma iluminação forte e equilibrada é impossível manter vivos e saudáveis muitos dos invertebrados marinhos (em especial, alguns dos mais estranhos, belos e exóticos) e plantas que são o orgulho ou objeto de desejo de muitos de nossos colegas de afiliação.

Em aquários não é conveniente ou prático, usar a energia luminosa proporcionada pelo sol. Apesar de completa, barata e, sobretudo, natural, ela não é passível de controle fácil e preciso e não é raro surgirem problemas advindos do aquecimento e intensidade excessivos, característicos da luz provinda dessa fonte.

Sendo assim, devemos recorrer ao uso da iluminação artificial, cujo controle é muito mais simples e fácil. No entanto se faz necessário atentar para alguns detalhes fundamentais. Nosso principal órgão sensorial (o olho) pode, muito facilmente, nos enganar, assim do nosso ponto de vista um aquário pode parecer bem iluminado (o olho se adapta às condições de iluminação, com facilidade e rapidez), mas será que para o principal interessado (animal ou planta que depende dessa luz para viver) a luz existente é suficiente?

É muito comum usar-se um número de lâmpadas aquém da quantidade mínima necessária ou com um espectro inadequado ou ainda, o que é erro muito maior, compensar o uso de lâmpadas de baixa intensidade, com um aumento no período em que estas lâmpadas permanecem ligadas. Sem o fornecimento da quantidade e da qualidade de iluminância de que necessitam, os seres mais dependentes da radiação luminosa serão muito prejudicados começando a definhar e morrer em pouco tempo.

Tipos de lâmpadas

As mais utilizadas em aquariofilia ainda são as lâmpadas fluorescentes encontradas em três tipos de acordo com a intensidade luminosa que proporcionam: normal, alto rendimento (H.O.), e rendimento muito alto (V.H.O.). Os modelos HO e VHO, requerem reatores específicos.

Também costumam ser utilizadas as lâmpadas de haleto metálico (metal halides ou HQI) ou as lâmpadas halógenas, que são de porte consideravelmente menor que as lâmpadas fluorescentes e produzem significativamente maior intensidade luminosa, penetrando mais profundamente na água sendo indicadas especialmente para aquários altos (mais de 50cm de profundidade). Em contrapartida, emitem muito mais calor que as lâmpadas fluorescentes, tornando necessária a instalação de ventoinhas ou ventiladores para o resfriamento da instalação.

Outro problema inerente a este tipo de lâmpadas reside na alta emissão de luz na faixa do ultravioleta, requerendo o uso de um filtro (na verdade, uma prosaica chapa de vidro temperado) para estes comprimentos de onda. Geralmente as luminárias específicas para estas lâmpadas já contam com este “acessório” incorporado.

A tecnologia LED vem conquistando cada vez maior fatia de adeptos (especialmente entre os aquariofilistas marinhos e os aquapaisagistas) e, muito embora o preço de uma luminária LED ainda esteja fora do alcance da maioria dos aquaristas podemos ter esperança que os preços se tornem mais acessíveis em um futuro próximo.
7 - A HORA E A VEZ DOS PEIXINHOS? 

Ainda Não!  Após todos os equipamentos instalados e ligados, o aquário deverá passar por um período de maturação não inferior a três dias, sendo aconselhável esperar de uma ou duas semanas ou, caso você seja uma pessoa paciente e consciente, ainda mais tempo. Isso porque mesmo que você tenha utilizado produtos recomendados para acelerar a maturação biológica de seu aquário, demanda certo tempo (variável segundo as condições de seu aquário e ao tipo de produto empregado) para que estes produtos atinjam sua mais alta eficiência. Durante este período, todo o equipamento instalado no aquário deverá funcionar ininterruptamente (24 horas por dia) e as lâmpadas deverão ser acesas pelo período recomendado (especialmente se você utilizar plantas naturais, ou seja, vivas), porém o aquário deverá ficar desabitado. Para mais informações sobre os processos mencionados acima CLIQUE AQUI 
Maturação da biologia

Você adquiriu o aquário, as pedrinhas (que o pessoal da loja chama de cascalho ou substrato), os enfeites (plantinhas plásticas, moinho de água acionado a ar, compressor para acionar o moinho, castelinho, etc.), o filtro, o aquecedor automático, o anti-cloro, enfim tudo o que te disseram que um peixe precisa pra viver bem. E, é claro, compra também uns dez, vinte, trinta ou mais peixinhos sortidos, daqueles bem coloridos, para dar um “visu bonito” no aquário.

Ao chegar à casa você monta a parafernália toda, enche o aquário de água, coloca o anti-cloro (seguindo a orientação impressa na bula do produto), liga o filtro e o aquecedor do modo como te instruíram na loja, e solta os peixes em sua nova casa. Você percebe que os peixes se escondem em meio à decoração, empalidecem e, às vezes nadam disparados pelo aquário para voltar a se esconder no canto mais afastado. No dia seguinte ou no próximo começam a ocorrer mortes e, muito provavelmente, os peixes que ainda não morreram estão agora respirando ofegantes na superfície do aquário.

Você se dá conta que tem alguma coisa errada, observa melhor os peixes que sobraram e constata que estes apresentam as nadadeiras rasgadas e com vias ou manchas vermelhas. Alguns podem até estar com o corpo ou os olhos (apenas um, ou ambos) inchados. É lógico que você fica “puto”! - Aqueles salafrários lá da loja me venderam os peixes “tudo” doente!

NÃO... Cara! Os peixes estão doentes porque você os colocou em um aquário “sem biologia”. Antes de mais nada veja se não colocou mais peixes do que o aquário pode comportar. Assumindo que realmente cabiam todos os peixes que você colocou no aquário ainda resta o problema da água ainda não estar própria para a introdução dos peixes. Os peixes são “gente como a gente”, ou seja, eles respiram, urinam e defecam e tudo isso acaba por alterar a qualidade da água. Quando o peixe respira, ele (assim como eu e você) inala oxigênio (O2) e exala gás carbônico (CO2). Esse gás, em contato com a água, automaticamente se transforma em ácido carbônico (H2CO3) que por ser um ácido vai tentar deixar a água do seu aquário ácida. Seu peixe também defeca (e o esterco vai se acumular dentro do aquário se você não limpar) e urina!

A urina dos peixes é amônia (muito tóxica e mortal em quantidades muito pequenas). E quem vai limpar a água de seu aquário deste veneno? A “filtragem biológica”! O problema é que ao montar o aquário você não colocou as bactérias nitrificantes e muito menos a quantidade necessária destas para a neutralização imediata da amônia. Claro está que seus peixes começaram a ser envenenados pela amônia que começou a se acumular na água e logicamente acabaram pegando doenças em virtude da depressão (debilitamento) do sistema imune promovido pela quantidade crescente do veneno.

Em condições normais um aquário precisa de 16 dias para que a população de bactérias que se ocupam da amônia (Nitrosomonas spp) cresça o suficiente para neutralizar toda a amônia produzida pelos outros habitantes do aquário (peixes, outros seres aquáticos como crustáceos e moluscos, e também as bactérias decompositoras). E até 60 dias para que as Nitrobacter spp ou as Nitrospira spp atinjam número suficiente para oxidar todo o nitrito produzido pelas Nitrosomonas.

Esse problema (que todo e qualquer aquário atravessa no período inicial) é chamado na literatura estrangeira de New Tank Síndrome e o modo mais efetivo de minimizá-lo consiste em esperar que a água do aquário se estabilize e as bactérias iniciem o processo de colonização dos elementos filtrantes biológicos. Assim, espere pelo menos uma semana (melhor duas ou mais) para introduzir os primeiros peixes e vá completando a lotação do aquário aos poucos (nunca introduza os peixes que seu aquário consegue comportar, todos de uma vez).
‍Enquanto espera que a maturação biológica de seu aquário se processe, torne um hábito verificar diariamente o funcionamento da aparelhagem instalada no aquário. Aproveite para ajustar a temperatura para a faixa requerida pelas espécies que você pretende manter. Para os peixes tropicais a temperatura não deverá ser inferior a 24 graus Celsius. No caso dos peixes de água fria (kínguios e carpas) a temperatura mais indicada fica abaixo dos 24 graus. Para mais informaçōes ‍sobre aquecimento e temperatura CLIQUE AQUI‍
Aquecimento e Temperatura

Ectotérmicos, ou como referido pelo vulgo: animais de “sangue frio“ (salvo umas poucas exceções - todas de grande porte e inadequadas para a manutenção em aquários convencionais), os peixes são incapazes de manter constante sua temperatura corporal, e o que é pior, suportam muito mal as variações bruscas de temperatura. E isso porque todos os processos metabólicos (os meus, os seus e os dos peixes), são influenciados diretamente por este parâmetro físico!

Em outras palavras, funções orgânicas vitais como: apetência (fome, vontade de comer), digestão (conversão do alimento ingerido em nutrientes assimiláveis), assimilação (aproveitamento dos nutrientes para os diversos sistemas corporais), excreção (eliminação dos resíduos resultantes dos processos corporais), respiração (processo oxidativo para produção de energia), manutenção de um sistema imune ativo (capacidade de resistir a doenças), atividade muscular, reprodução, a síntese hormonal e enzimática e o que mais que mantenha o peixe vivo depende exclusivamente da temperatura do ambiente.

Assim, torna-se claro que um controle adequado da temperatura é essencial para a obtenção de sucesso em manter nosso aquário “saudável e feliz”. Estritamente falando de peixes ornamentais, temos os peixes denominados tropicais que são originários de regiões quentes, necessitando de temperaturas relativamente elevadas, entre 24 e 30º Celsius, para que se mantenham em bom estado de saúde e os peixes de água fria provenientes de regiões temperadas que se dão melhor entre os 18 e os 26º Celsius. Os peixes ornamentais de água fria mais comumente encontrados no Brasil são a Carpa colorida (Nishikigoi), bem como, um bom número de variedades de Kínguios.

O problema mais comum que se segue a uma queda brusca da temperatura é um debilitamento generalizado associado a um ataque por parasitas. Felizmente, na maioria dos casos, essas parasitoses resumem-se a casos de íctio ou de Oodínium ou algum outro protozoário externo e, normalmente, basta elevar a temperatura e tratar a parasitose para que a situação volte ao normal, desde que se aja sem demora. No entanto, casos muito mais sérios podem ocorrer, pois uma queda rápida na temperatura pode retardar ou mesmo sustar os processos digestórios, ocasionando uma enterite (inflamação intestinal) e na seqüência, uma infecção nos intestinos.

Outras disfunções que costumam ocorrer são a redução da atividade metabólica, letargia (desinteresse, sonolência), inapetência (falta de interesse nos alimentos) e é claro, interrupção da capacidade reprodutiva. Se a temperatura se mantém baixa por um grande período de tempo, pode haver uma inativação completa de algumas das funções vitais com alterações metabólicas irreversíveis e, por conseguinte, a morte.

Uma temperatura alta, acima daquela na qual os peixes normalmente vivem também tem efeitos maléficos sendo primeiramente afetadas as taxas de crescimento e as funções metabólicas. Quando a temperatura excede permanentemente os 30ºC tem início um processo de progressivo debilitamento, pois a aceleração do metabolismo conduz ao esgotamento físico, agravado pela inapetência (falta de apetite) e supressão do sistema imune (capacidade de resistência a doenças).

As altas temperaturas além de diminuir a quantidade de oxigênio em dissolução na água provocando insuficiência respiratória (dificuldade em respirar) tem o efeito de aumentar a toxicidade dos metais pesados e da amônia. Debilidade, letargia, natação à superfície buscando o ar atmosférico e paralisia são os principais sintomas de uma temperatura acima do limite do tolerável e caso as condições não sejam corrigidas a tempo, são seguidos da morte após um período curto de agonia. As temperaturas compreendidas entre os 34º e os 40º Celsius são letais para toda e qualquer espécie de peixe (aqui também encontramos exceções, tais como os Alcolapia grahami do lago Magadi, África e uma ou outra espécie de Cyprinodon do meio-oeste norteamericano que podem suportar temperaturas de até 45º por algumas horas seguidas).

Caracteristicamente, os peixes submetidos a essas condições são encontrados mortos com a boca e os opérculos bem abertos. No ambiente natural, problemas relacionados a alterações drásticas na temperatura são quase desconhecidos, pois a água tem uma grande estabilidade térmica, aquecendo-se ou resfriando-se lentamente. Os peixes estão à vontade para escolher as camadas de água onde preferem ficar e tempo para se adaptar às diferentes temperaturas existentes entre uma e outra camada.

O choque de temperatura ocorre quando os peixes são passados rapidamente para um aquário contendo água muito mais fria ou mais quente que aquela em que, originalmente, estavam. Como já vimos esses animais possuem pouca capacidade de adaptação a mudanças bruscas. Quando submetidos a esse tratamento, ficam quase instantaneamente paralisados e caem ao fundo do aquário. A morte sobrevém rapidamente após um breve período caracterizado por movimentos espasmódicos. No interesse de evitar um estresse prejudicial convêm evitar, tanto quanto possível, que a variação de temperatura exceda, para mais ou para menos, de 1º Celsius a cada hora.

Controle da temperatura

Para poder controlar a temperatura de seus aquários, especialmente nos meses frios do ano, os habitantes das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, recorrem aos aquecedores automáticos que são resistências elétricas controladas por termostatos, embutidas em tubos de vidro as quais quando ligadas a uma fonte de energia aquecem a água. A relação entre a potência do aquecedor e o volume de água a ser aquecida, no caso das pessoas que moram no Estado de São Paulo deverá ser de 1 watt para cada litro de água do aquário. Nos Estados dão sul do nosso a relação chega a 1,5 W/L ou 2 W/L, enquanto que nos aquários instalados no norte de Minas, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul os aquecedores são mais importantes para evitar as variações bruscas de temperatura do que propriamente para aquecer a água.

Assim um aquário com capacidade para 100 litros de água (desde que localizado no Estado de São Paulo) necessita de um aquecedor de 100 watts de potência. Para aferição da temperatura usaremos um termômetro. A melhor posição para a localização do termômetro é um canto do aquário diametralmente oposto ao local onde foi colocado o aquecedor, pois assim obtemos a temperatura média da água. Caso o termômetro seja colocado muito próximo ao aquecedor ou acima deste, a leitura de temperatura será maior do que a temperatura média, real, do aquário.
8 - AGORA SIM! 

Vamos supor que tenham se passado duas semanas desde que você montou o seu aquário. Em teoria o processo de instalação da “biologia” (basicamente a instalação de colônias de bactérias nitrificantes nos elementos filtrantes do seu sistema de filtragem) já se encontram adiantados. Mas, como ter certeza que é seguro introduzir os peixes? É aqui que entram os testes de água. Você vai precisar de, pelo menos, um conjunto para teste de pH, um conjunto para verificar os níveis de amônia e de um “kit” para testar o nitrito da água de seu aquário. Para mais informações sobre os diversos conjuntos de testes para água de aplicação em aquários CLIQUE AQUI ‍
Conjuntos de Testes

A água de seu aquário está límpida e cristalina, mas será que é segura para seus peixes? Para ter certeza, somente realizando um teste! Hoje em dia, encontramos conjuntos para realização de um sem número de testes destinados a aquilatar a qualidade da água de nossos aquários. Existe teste para quase tudo (oxigênio dissolvido, gás carbônico dissolvido, fosfato, cálcio, amônia, nitrito, nitrato, pH, potencial redox, condutividade e o que mais você imaginar que possa estar dissolvido na água e ser de alguma importância para o estado geral do aquário e dos peixes), desde os mais “simplesinhos” e “facinhos” de fazer, constando de um frasquinho de reagente, um tubinho de ensaios e uma cartela com meia dúzia de cores até os mais sofisticados verdadeiros laboratórios para análises químicas, que contam com uma pequena bancada de suporte para os tubos de ensaio, pipetas ou seringas graduadas, tabelas de cores e ampla variedade de reagentes para realização de testes que aferem os mais diversos parâmetros.

Vou ter que comprar todos esses conjuntos de testes?

Depende do tipo de aquarista que você quer se tornar, do aquário que pretende ter e das espécies de seres (peixes, plantas, moluscos, crustáceos, etc.) nele contida. Se o seu aquário for de água salgada, por exemplo, você deverá ter sim um conjunto completo de testes para água salgada, visto que os organismos que vivem neste tipo de aquário apresentam exigências mais estritas, quanto à qualidade e composição da água que os similares que vivem em água doce. Podemos dizer a mesma coisa se sua ambição é montar um aquário plantado “SHOW” com a única exceção de que agora você precisa é de um conjunto de testes próprio para aquários plantados.

De um modo geral, um aquarista iniciante (que possui somente um aquário de água doce despretensioso) costuma efetuar, regularmente, apenas três ou quatro testes. Ou seja, um teste de pH, um teste de amônia, um teste de nitrito e um teste para nitrato (este último especialmente importante no caso de peixes grandes – Aquarismo Jumbo – ou ciprinídeos de grande porte (kínguios e carpas) que devido ao grande volume corporal e conseqüente quantidade de resíduos nitrogenados que produzem e excretam necessitam maiores volumes de trocas parciais de água e o emprego de elementos filtrantes especiais ou filtros denitradores.

Os testes são ferramentas importantes para comprovar que tudo está bem com o seu aquário, em especial, durante os primeiros meses de instalação. Durante esse período, as condições da água deverão ser monitoradas com regularidade. O teste de pH será realizado, pelo menos duas vezes por semana antes de cada troca de água para verificarmos se não houve variação no decorrer da semana e durante o procedimento de troca de água (para aferirmos as condições da água que será reposta no aquário), já os testes de amônia, nitritos e nitratos serão realizados apenas uma vez por semana (para conferir o andamento da instalação da filtração biológica, e , no caso do teste de nitrato para confirmar que o volume de água trocado por semana está adequado para a carga orgânica – quantidade de peixes – alojada no aquário).

Alguns aquaristas durante a fase de maturação do aquário chegam a efetuar testes diários. Não considero esse um procedimento exagerado, visto que a monitoração diária das variações que ocorrem nas primeiras fases da montagem de um aquário nos ensina muito sobre o processo global. Decorridos uns seis meses, ou um pouco mais, com o aquário já estabilizado é possível relaxar um pouco e efetuar os testes de amônia, nitrito e nitrato, a cada 15 dias ou um mês de intervalo.
\O/  Uhuuu!!!! Os testes dizem que está tudo certo com seu aquário (pH indicado para as espécies que você pretende introduzir, níveis de amônia e nitritos zerados, temperatura correta e estável, água cristalina). Desculpe te jogar um balde água fria, mas isso vai mudar depois que você introduzir os peixes. Porém é normal e faz parte do jogo. Por enquanto o que interessa é que podemos povoar o aquário. Mas para isso vamos nos utilizar de um procedimento denominado: ACLIMATAÇÃO. Para saber mais sobre o que ocorre num aquário depois de introduzirmos os peixes CLIQUE AQUI‍
Então! Você montou o aquário,

Esperou a água estabilizar e introduziu os peixes de acordo com as instruções de nosso site. O que acontece agora?

O que acontece é que o peixe ou peixes introduzidos irão passar por uma fase de adaptação ao novo ambiente (seu aquário). Essa fase costuma coincidir com a maturação da filtragem biológica e é caracterizada por um estresse adaptativo, ou seja, por um período de 16 dias (ou um pouco menos, caso você utilize algum produto para acelerar a maturação da “biologia” – etapa biológica da filtragem).

Nesse período os níveis de amônia/amônio (NH3/NH4) estarão aumentando enquanto as bactérias nitrificantes não atingem uma população suficiente para metabolizar totalmente os compostos nitrogenados. É um período difícil para nossos novos inquilinos, durante o qual eles ficam mais propensos a contrair doenças, então devemos nos esmerar em garantir as melhores condições possíveis, evitando colocar alimentos em excesso (lembre-se que se o peixe não comer, alguém vai! E seu aquário vai ficar lotado de bactérias). Fazendo as manutenções recomendadas e mantendo a temperatura dentro dos parâmetros requeridos pela espécie ou espécies que estamos mantendo.
9 - ACLIMATAÇÃO

Para uma introdução, relativamente, pouco traumática, dos peixes ao seu novo lar siga este procedimento:

a - Deixe o saco plástico, contendo os animais, flutuando no aquário por aproximadamente 15 minutos, abrindo-o a seguir e enrolando  a boca do saco, varias vezes sobre si mesma, formando um  flutuador, de modo que o saco fique boiando na água do aquário como se fosse uma piscina flutuante. 

b - Deixe o saco flutuando com a boca aberta voltada para cima e vá despejando, em intervalos de um a dois minutos, mais ou menos, a metade de um copinho descartável (destes para café), de água do aquário no saco plástico, até dobrar o volume de água em seu interior. O processo todo demandará, perto de 30 a 40 minutos e servirá para aclimatar os peixes à água de seu novo ambiente. 

c - A seguir, retire os peixes do saco plástico, utilizando-se de uma pequena rede, e transfira-os para o aquário, descartando a água contida no saco. Os peixes recém-chegados passam por um período de adaptação, mais ou menos prolongado, ao novo aquário, estando sujeitos durante este período a um estresse adaptativo, que os predispõem a contrair doenças. Para saber mais sobre o que ocorre durante o procedimento de aclimatação. CLIQUE AQUI‍
Porque seguir os procedimentos de aclimatação?

Seguindo os procedimentos recomendados para a aclimatação dos peixes podemos evitar alguns dos problemas que podem acontecer ao introduzirmos os peixes em um novo aquário. Ao deixarmos o saco plástico contendo os peixes flutuando no aquário estaremos sincronizando as temperaturas. Afinal o seu aquário tem um aquecedor que está regulado para a temperatura recomendada para as espécies de peixes que você pretende manter. Mas a temperatura da água do saco de transporte pode estar muito diferente da temperatura do aquário, por isso é que deixamos o saco flutuando no aquário para igualar as temperaturas.

Depois de uns 45 minutos, abrimos o saco e enrolamos a borda do plástico sobre si mesma de modo a formar um flutuador que irá manter o saco aberto. O saco tem que ficar com a boca bem aberta porque o oxigênio que foi introduzido para o transporte dos peixes se escapa para a atmosfera e se os peixes não tiverem acesso ao ar livre fora do saco podem se asfixiar.

O próximo passo consiste em ir colocando água do aquário, muito devagar, no saco plástico de modo a misturar a água de transporte com a água do aquário. Ao fazermos isso, bem devagar e com calma, iremos acostumando os peixes as condições químicas da água do aquário. Lembrem-se os peixes dentro do saco estão respirando (liberando CO2 que acidifica a água), além de urinar (liberar amônia NH3/NH4). Como o volume de água contida no saco é muito pequeno, isso quer dizer que estes produtos estão em concentração maior que na água do aquário e se você passar os peixes muito rápido de uma água para a outra, eles podem se ressentir (pode ocorrer uma depressão do sistema imune) e contrair doenças.

Depois de mais uns 45 minutos a uma hora já teremos dobrado o volume de água no saco plástico e poderemos proceder à soltura dos peixes (por meio de uma redinha de aquário). Finalizada a introdução descarte o saco juntamente com a água (afinal a água vem de outro aquário e os peixes vieram urinando, respirando e até defecando nela e não convém adicioná-la ao nosso aquário). 

Pronto, os peixinhos já foram introduzidos, agora é só curtir! Quer dizer...  Também temos que cuidar, afinal são seres vivos e para cuidar teremos que realizar outro procedimento denominado: MANUTENÇÃO.
10 - MANUTENÇÃO

A manutenção consiste na retirada da sujeira que você acumulou no seu aquário no decorrer da semana ao alimentar seus peixes, e deverá ser feita uma vez por semana (todas as semanas e pelo resto de sua vida ou enquanto você insistir em ter peixes!). O pessoal costuma chamar esse procedimento de TPA (Troca Parcial de Água), mas a coisa é um pouquinho mais complexa como podemos verificar logo aqui embaixo! 

Antes de qualquer coisa, desligue todo o equipamento elétrico que esteja em contato com a água... afinal de contas: água e eletricidade não combinam, não é mesmo? É uma providência simples, mas importante, visto que um bom número de aquários já foi danificado por aquecedores (inadvertidamente esquecidos ligados) que ficaram fora da água durante os procedimentos de troca de água. Retire a tampa ou luminária (caso esta atrapalhe o livre acesso ao interior do aquário)

Iniciaremos pela limpeza dos vidros. Isso é necessário porque com o passar dos dias, essas paredes vão sendo recobertas por uma capa, composta principalmente, de zoogléia (mucilagem bacteriana) e algas, que acabam por prejudicar a transparência do vidro e, portanto, a visibilidade do ambiente aquático. Com o auxílio de um limpador apropriado, faremos a limpeza dos vidros, devagar e com cuidado para não assustarmos os peixes nem fazermos a água transbordar. Pode ser necessário baixar um pouquinho o nível de água para facilitar essa operação. Cuidado com as partículas de substrato (areia ou pedacinhos de cascalho) que podem ficar aderidas ao limpador e riscar os vidros!  Terminada essa limpeza, aguardaremos alguns minutos (uns 10 a 15), para que a sujeira assente no fundo do aquário. Enquanto esperamos, será conveniente tornar a ligar o equipamento do aquário. Pronto a sujeira já sedimentou (acumulou no fundo), novamente desligaremos o equipamento elétrico e, agora sim, procederemos à limpeza do cascalho e a troca de água.

Para tal, vamos nos utilizar de um sifão (dispositivo composto por uma mangueira dotada de um bocal plástico, encontrado na maioria das boas lojas de aquários) e faremos uma aspiração da maior quantidade possível de dejetos, que estiverem retidos entre os grãos do cascalho, aproveitando para trocar aproximadamente 30% da água do aquário nesta ocasião. Lembre-se que a maior parte daquilo que acumula no fundo do aquário é constituído por fezes de peixes. Essa operação de aspiração da sujeira mediante a ação do sifão é denominada: SIFONAGEM.

A sifonagem deverá ser efetuada, de modo a controlar a saída da água, permitindo a retirada do máximo de sujeira, e o mínimo de água. O melhor método consiste em pressionar verticalmente o bocal do sifão, enterrando-o no cascalho até percebermos que o bocal encostou no vidro do fundo do aquário, dai afastamos o bocal uns milímetros do vidro para permitir a passagem da água e da sujeira e, a seguir, controlar a saída da água, tampando e destampando, alternadamente, a ponta de saída da mangueira com o auxílio do dedo polegar. 

A sujeira irá saindo aos poucos (aos soquinhos), de maneira controlada, de modo a economizar água. O substrato (cascalho ou areia) também será aspirado, porém não chegará nem à metade do comprimento do bocal, visto que estaremos controlando a passagem da água com o polegar. Se o substrato for de granulometria média, o efeito geral lembrará muito as pipocas saltando no mostruário de um carrinho de pipocas, com as partículas de cascalho subindo e descendo no interior do bocal do sifão. Quando começar a sair água limpa, feche a saída da mangueira (com o dedo polegar) e mude a posição do bocal do sifão, enterrando-o nas proximidades do local já limpo, repetindo o procedimento descrito acima. Lembre-se a idéia é tirar a sujeira acumulada e não apenas a água, e que devemos respeitar o limite de um terço do volume do aquário. Isso porque os peixes não suportam mudanças muito drásticas nas condições da água, correto?

Caso já tenha gasto os 30% da água e não tenha sido possível limpar todo o fundo do aquário, não tem problema, complete o volume do aquário com água nova condicionada (com a mesma temperatura, mesmo valor de pH e sem cloro) e dê um tempo (um ou dois dias de descanso), efetuando novamente a operação a partir do ponto em que havia parado anteriormente.

Se o aquário for velho e repleto de esterco acumulado, vá repetindo o procedimento descrito (sempre com uma pausa de um ou dois dias entre uma sifonagem e a seguinte) até que o cascalho fique suficientemente limpo e a partir dai adote o regime de uma sifonagem por semana. Nossa meta será manter um baixo índice de sujeira, controlando, desta maneira, as bactérias prejudiciais e evitando o entupimento da cama de cascalho. Não é necessário desmontar a decoração para fazer a sifonagem, basta sifonar a superfície livre do cascalho. Somente mexa na decoração caso esta esteja muito suja e coberta de algas e isso, por acaso, o incomode e, neste caso sim, limpe o cascalho do local onde o objeto estava antes de recolocá-lo.

Efetuada a sifonagem, limpe o filtro e lave os elementos filtrantes (sempre em água retirada do aquário. NUNCA em água de torneira) substituindo os elementos que se encontrem em mau estado ou estejam esgotados (carvão ativado, removedor de amônia, resinas adsorventes, etc.). Nunca troque o elemento de filtragem biológica (cerâmica, Siporax™, Bio-balls, esponja, etc.) todo de uma vez, sob pena de perder a capacidade de depuração biológica, mas mantenha-o limpo, lavando em água retirada do próprio aquário para não prejudicar as bactérias úteis. Aproveite e faça a poda das plantas que porventura tenham crescido demasiadamente.

Importante: - Qualquer peixe ou planta que eventualmente venham a morrer deverão ser imediatamente retirados. Afinal não queremos sobrecarregar desnecessariamente nosso filtro, certo? Não permita que os outros peixes comam o companheiro morto, pois, muitas doenças se propagam desta forma. Para saber mais sobre sifonagem CLIQUE AQUI‍
Um recurso muito útil!

Um equipamento muito útil para a manutenção de nossos aquários é o chamado sifão. Esse dispositivo consiste em um tubo de plástico rígido transparente (bocal) que é acoplado, por meio de uma redução, a mais ou menos um metro e vinte centímetros de mangueira. A maioria da marcas dispõe de uma válvula de retenção localizada na união entre o bocal e a mangueira. Também costumam ter uma grade ou tela para evitar o entupimento da mangueira. Com esse dispositivo é que efetuamos a TPA e, mais importante, a sifonagem (que alguns chamam de sanfonagem – que, penso eu, vem do modo ERRADO de usar o aparelho, ou seja, “chacoalhando” o sifão como se estivesse tocando uma sanfona e levantando “nuvens” de sujeira no processo!).

O termo sifonagem deriva do nome do aparelho (basicamente um tubo ou mangueira que permite a transferência de líquidos entre dois recipientes colocados em alturas diferentes, por meio do uso da gravidade, pressão atmosférica e força de coesão entre as moléculas do líquido, atuando de forma independente ou em conjunto). Ou seja, com o uso deste dispositivo é possível retirar água de um recipiente, como um aquário, por exemplo, desde que exista um desnível entre o recipiente do qual será tirada a água (aquário) e o recipiente que irá recebê-la (geralmente um balde), sem uso de bomba ou mesmo sucção!

O que? Não precisa chupar a mangueira para puxar a água?

NÃO MESMO! Basta encher o bocal e, pelo menos, metade da mangueira do sifão com água do próprio aquário. O melhor meio de fazer isso é introduzindo o sifão no aquário e esperando que a água preencha o sifão até + ou - a metade da mangueira. A seguir feche a ponta da mangueira que ficou fora da água com seu dedo polegar e puxe devagar o segmento de mangueira que estava dentro do aquário. Atenção aqui: a ponta da mangueira dera estar bem fechada, pois se entrar ar, mesmo que seja um pouquinho, o efeito sifão não funcionará.

Cuidado para que o bocal do sifão não saia da água, pois, se entrar ar pelo bocal o sifão também não funciona! Abra a ponta da mangueira sempre dentro do balde. Cuidado para não molhar o carpete de madeira, “sinão a patroa ti mata”!

Agora sim a água já está saindo do aquário e escorrendo para o balde, feche novamente a saída da mangueira e enterre o bocal do sifão no cascalho, em um dos cantos do aquário, encostado ao vidro, até que o bocal toque no fundo de vidro (ou placa do FBF, no caso de usar este). Afaste o bocal alguns milímetros (para permitir a passagem da água e abra a ponta da mangueira. O cascalho, a água e a sujeira irão subir pelo bocal. Feche novamente a ponta da mangueira, antes do cascalho atingir o topo do bocal. O cascalho vai cair ao fundo devido ao próprio peso, mas a água e a sujeira vão continuar na altura que atingiram.

Abra novamente a ponta da mangueira (com o bocal do sifão enterrado no mesmo local) novamente o cascalho, a sujeira e a água subirão. Feche a ponta e o cascalho cairá, mas a sujeira e a água estarão agora em um nível mais alto. Repita a operação tantas vezes quantas necessárias para que aponte água limpa sobre o cascalho. Você vai ver aparecer por debaixo da água suja (dentro do bocal do sifão) uma camada de água limpa. Aqui não é necessário limpar mais, então, segure a ponta da mangueira fechada, retire o bocal do sifão do cascalho e enterre-o bem do ladinho.

Reinicie o procedimento descrito acima até que esta nova porção de cascalho esteja limpa. Proceda com calma e procure tirar o máximo de sujeira do cascalho gastando o mínimo de água. Dependendo das condições de seu aquário (se é novo – recém montado – ou velho, se tem mais peixes do que deveria, ou se você “erra a mão” na hora de alimentar) vai sair uma sujeira marrom escura ou preta, às vezes com cheiro forte.

Vá mudando o local de inserção do bocal de modo a cobrir o máximo da superfície do cascalho. Se tiver alguma rocha, planta ou objeto decorativo no caminho do bocal continue com a limpeza do cascalho até quase encostar no obstáculo. Se tiver espaço atrás da obstrução, recomece do outro lado até encostar no vidro oposto. Se não houver espaço atrás do objeto recomece a limpeza a partir do obstáculo e no sentido contrário

Continue a sifonagem lembrando que seu limite é aproximadamente um terço do volume do aquário (33%).

Se acaso você atingiu o limite e ainda restou cascalho a ser limpo, faça uma marca no vidro (com uma caneta hidrocor ou um pedacinho de fita adesiva) reponha a água retirada do aquário (cuidado – sempre use água condicionada para a reposição). Aguarde uns dois dias para que o aquário se recupere do “trauma” da TPA e reinicie o processo de limpeza do cascalho partindo da marca feita anteriormente.

Se você fizer as sifonagens da maneira indicada não precisará desmontar o aquário mesmo que decorram vários anos com o aquário montado (meu recorde foi de 12 anos – mas tive que desmontar por motivo de mudança) e seus peixes viverão mais felizes e satisfeitos.

Sifonagem em aquários de grande volume

Se você é um afortunado possuidor de um aquário de grande volume, ou de vários aquários (independentemente do tamanho que tenham) o procedimento de sifonagem será grandemente facilitado se você improvisar um “aspirador de aquários elétrico” para efetuar o processo.

Ou seja, adquira um filtro tipo canister (um modelo indicado para aquários de 100 litros já é suficiente). Improvise uma ligação da mangueira do sifão na mangueira ou na entrada do filtro canister. Regule a entrada de água no canister mediante a válvula de passagem (AquaStop) que existe no aparelho (serve para fechar a passagem da água quando vamos fazer a limpeza do filtro).

Fazemos isso para evitar que o aparelho aspire o cascalho (o que pode causar vários problemas, desde entupimento da mangueira até travamento do impeller). Se puder utilizar um sifão dotado com regulagem de vazão (como o AZOO Super Siphon™) você poderá controlar a aspiração da sujeira sem que o substrato seja sugado pelo aparelho, mesmo em aquários com o fundo de areia fina.

O procedimento para a sifonagem é exatamente o mesmo descrito na página dedicada ao assunto, o que muda é que ao invés de ir para um balde, a água retorna ao aquário mediante a mangueira de retorno do filtro canister.

Isso permite uma limpeza mais completa do que a obtida pela sifonagem “tradicional”, pois a sujeira é retida pelos elementos filtrantes no interior do filtro canister e a água é filtrada pelo carvão ativado antes de retornar ao aquário. No entanto, devemos nos lembrar que terminada a limpeza do cascalho ainda deveremos retirar um terço do volume de água do aquário e substituí-la por água nova, descansada e condicionada.

Existe um modelo de sifão acionado a pilhas que dispõe de um saco de tecido lateral para a coleta da sujeira, mas a qualidade do serviço fornecido por esse dispositivo deixa muito a desejar, pois que, o caldinho da sujeira (chorume = caldo de matéria orgânica em putrefação) escapa pela trama do tecido e continua na água, acumulando-se com o passar do tempo até causar os mesmos problemas que a sujeira sólida (aumento da carga bacteriana potencialmente patogênica = capaz de causar doenças).
11 - REPOSIÇÃO DA ÁGUA

‍A água de reposição também será tirada da torneira, mas deverá ser condicionada antes do uso. Ou seja, a água que está saindo do aquário, apesar de suja, está quentinha, possui um determinado valor de pH e, em alguns casos, contém certa quantidade de sal dissolvido (caso dos aquários marinhos, aquários de água salobra ou você tenha colocado sal por que ouviu dizer que era bom – nem sempre é!). Para saber mais sobre o papel do sal nos aquários de água doce CLIQUE AQUI
Sal no Aquário?

Você pode ter ouvido em algum lugar (ou de alguém – já ouvi até de balconistas de loja de aquário) que é bom por sal no aquário. Cuidado – Às vezes não é! Alguns seres aquáticos (tais como plantas, moluscos e alguns peixes (especialmente aqueles que habitam águas ácidas e quase isentas de minerais) podem ter reações adversas e até morrer se você colocar mais sal que a quantidade que o organismo consegue suportar (dependendo do ser a dose letal pode ser inferior a um grama/litro).

Além disso, sal é um nome genérico que é atribuído a uma classe de compostos resultantes das reações químicas que ocorrem entre ácidos e bases. Ou seja, temos uma infinidade de sais, alguns dos quais, quando adequadamente administrados podem ser de grande ajuda para aliviar o estresse dos peixes e combater alguns agentes causadores de doenças, especialmente os protozoários que causam parasitoses externas.

O sal mais utilizado para esse fim é o sal de cozinha, o famoso cloreto de sódio ou NaCl que é apresentado principalmente nas formas de refinado ou de mesa e grosso para churrasco. Este sal além de comprovada ação contra infestações causadas por protozoários, também é muito importante para aliviar envenenamento por nitritos.

No entanto, temos uma complicação aqui, porque o sal de cozinha assim como é encontrado à venda nos estabelecimentos comerciais, vendas e mercados não é lá muito adequado (ou mesmo seguro) para uso em aquário devido à adição deliberada de certos “contaminantes” tais como o iodeto de potássio (KI), outro sal, adicionado por força de lei para minorar deficiências de Iodo na dieta dos consumidores.

Outros contaminantes prejudiciais aos peixes são o ferrocianeto de sódio (Na4Fe(CN)6) que juntamente com o aluminosilicato de sódio (SiO2AlO3Na2O) são adicionados para evitar que o sal empedre (atuam como antiumectantes reduzindo as características higroscópicas do produto e, portanto, sua capacidade para absorver a umidade do ar).

Em assim sendo, o mais indicado é utilizar o tal de “sal marinho” encontrado nas casas de produtos “naturebas” que é quase isento de aditivos (à exceção do Iodo acima referido).

Outra opção é o sal para uso em aquários de água doce (veja bem, não se trata do “sal” para sintetizar água salgada e sim do cloreto de sódio normal, sem adição de Iodo, que é preconizado para uso em água doce). Esse sal (importado) é encontrado nas boas lojas do ramo em caixinhas contendo 430 gramas (geralmente as caixas estão molhadas e pesam bem mais que isso – devido à umidade absorvida – um atestado de “pureza” no “bom sentido” do produto).

Outro sal com propriedades terapêuticas (e ictiotóxicas, ou seja, mortais para os peixes, quando dosado em excesso) é o sulfato de cobre (CuSO4) muito utilizado contra protozoários, crustáceos e algas (patogênicos ou não). NUNCA USE ESTE SAL em aquários contendo camarões e demais crustáceos!

Em alguns casos pode-se usar também o sal amargo ou sulfato de magnésio (MgSO4) também conhecido como Sal de Epsom, com a finalidade específica de causar uma leve irritação na epiderme dos peixes, fazendo com que estes exsudem mais muco e, por tabela, conferindo maior proteção nos casos de parasitoses ou ferimentos epiteliais.

As parasitoses causadas por protozoários podem ser combatidas com banhos rápidos (30 segundos a 10 minutos de duração), com uma alta concentração salina perfazendo uns 30 gramas de sal/litro (NUNCA USE SAL REFINADO). Estes banhos deverão ser realizados em aquário hospital, ou recipiente adequado, provido de aeração e filtragem com carvão ativado (visto que o carvão não interfere com a salinidade – Cuidado – certas marcas de carvão ativado alteram o pH).

Concentrações mais fracas com 5 a 10 gramas/litro podem ser utilizadas em banhos com a duração de algumas horas. Cuidado: a água de tratamento deverá ter o mesmo valor de pH e estar à mesma temperatura que a água do aquário onde os peixes estavam.

Os peixes devem ser cuidadosamente observados no decurso do tratamento devendo o mesmo ser interrompido tão logo sejam notados sinais de desconforto e perda de equilíbrio. Quando isso ocorrer o tratamento será suspenso e o peixe deverá ser retornado, de imediato, ao aquário original.

NOVAMENTE ATENÇÃO: Cascudos, acaris e assemelhados, coridoras e outros peixes encouraçados, peixes de couro ou que pareçam não ter escamas como os botias e todos os peixes parecidos com uma cobrinha ou enguia, como o dojô1 e o kuli2, assim como muitos dos tetras e todos os peixes que emitem campos elétricos, como o peixe elefante3 e demais representantes da família Mormyridae4, as diversas espécies de ituís5 e sarapós6 e o mais conhecido dos peixes elétricos, o famoso poraquê7, não devem ser submetidos a tratamentos salinos sem um ensaio prévio para determinar a tolerância e a quantidade de sal que pode ser empregada com segurança.

1 - Misgurnus anguillicaudatus.
2 - Pangio kuhlli.
3 - Gnathonemus petersi.
4 - Grupo taxonômico que reúne os peixes-elefante e espécies afins.
5 - Apteronotus albifrons. Eigenmannia virescens.
6 - Gymnotus carapo. G. pantherinus.
7 - Electrophorus eletricus.
Então, a água nova que será usada para completar o nível do aquário deverá ter o mesmo valor de pH, a mesma temperatura e, se for o caso, a mesma quantidade de sal (salinidade ou densidade). Assim evitamos os principais problemas relacionados às trocas de água. Para saber mais sobre o condicionamento da água para trocas. CLI‍QUE AQUI 
Condicionamento de Água para Trocas

Por mais eficientes que os produtos para inativação do Cloro e das Cloraminas possam ser, às vezes, necessitamos de uma água com um menor índice de impurezas (para a reprodução de alguns tipos de peixes como os neons, killifishes ou Discos, ou para a reposição de água doce e/ou sintetização de água salgada, em aquários marinhos, etc.), nesse caso a saída é lançar mão de outras fontes:

- Água de chuva, relativamente fácil e barata de obter (durante o período das chuvas, obviamente), pouco poluída quando colhida após uns 15 ou 20 minutos do início de uma forte precipitação. Muito mole e ácida. Deve-se filtrá-la com carvão ativado neutro ou alcalino.

- Água destilada (P. A., ou seja, própria para análises químicas). Um cuidado extra se faz necessário ao utilizarmos esta água, ou seja, deveremos testar cada lote para a presença de sais de cobre, os quais podem estar presentes devido ao fato que o processo de destilação, em larga escala, se faz através de tubulações e serpentinas fabricadas com este metal, não sendo incomum constatarem-se níveis intoleráveis na água dessa procedência, donde a necessidade de adquiri-la de um fornecedor idôneo. Muito mole e neutra. Não requer filtragem adicional.

- Água filtrada por R.O. - Água obtida por filtragem através de uma membrana especial, denominada membrana de R.O. (Osmose Reversa). De acordo com dados fornecidos pelos fabricantes a filtração da água torneiral por meio da osmose reversa permite a obtenção de índices de pureza de até 99,8 % dependendo do tipo de membrana utilizada. Muito mole e, mais ou menos, ácida conforme o nível de gás carbônico em dissolução e virtual ausência de reserva alcalina. Tanto esse sistema quanto o de troca iônica, descrito abaixo, utilizam um pré-filtro com etapas mecânicas e químicas (carvão ativado, adsorventes de sais ferrosos), antes da filtragem principal propriamente dita.

- Água deionizada. - Para obtenção de água com um índice de pureza praticamente absoluto, podem-se utilizar resinas de troca iônica. Este material é composto de polímeros sintéticos em forma de grânulos, (cuja estrutura molecular tem o formato de uma rede tridimensional), obtidos pelo processamento industrial de certos derivados de petróleo. A estrutura reticular obtida apresenta cargas elétricas (negativa no caso da resina de troca catiônica ou positiva quando se trata da resina de troca aniônica), de acordo com a natureza dos grupos de átomos que as constituem. A combinação dos dois tipos de resina torna possível a remoção de, praticamente, todos os íons existentes em dissolução, substituindo-os por H+ e OH-, ou seja, água pura. Alguns modelos de aparelhos para filtragem R.O. possuem uma etapa final constituída por um mix destas resinas aumentando, dessa maneira, o grau de pureza da água obtida. Muito mole, mais ou menos ácida, conforme o nível de gás carbônico em dissolução.

- Água resintetizada. - Água vendida nos supermercados, consiste em água torneiral, filtrada por meio de unidades de R.O. e tendo a osmolaridade e valor de pH ajustados mediante a adição de alguns minerais. Uma boa opção quando da falta de outra fonte de água de qualidade. Dureza média, levemente alcalina. Dispensa filtragem adicional.

- Água torneiral filtrada. - Obtida através da passagem da água da rede pública através de um filtro mecânico (Cuno® ou similar) e, caso necessário, por algum tipo de zeólito ou resina de troca iônica e por carvão ativado neutro de boa qualidade. Dureza e valor de pH, de acordo com a fonte de captação e natureza dos elementos filtrantes empregados.

Nestas duas últimas opções, normalmente, não se faz necessário ajustar a osmolaridade (nível de eletrólitos dissolvidos), visto que na água resintetizada, isto já é feito pelo produtor e na água torneiral, a filtragem não é tão refinada a ponto de interferir significativamente nesses valores.

Mas somente usar uma água de boa qualidade (no que se refere à pureza), não é suficiente, temos ainda que aquecer e acertar o valor do pH e também a salinidade se for este o caso. Ou seja, a água que está saindo do aquário, apesar de suja, está quentinha, possui um determinado valor de pH e, em alguns casos, contém certa quantidade de sal dissolvido. Então, a água nova que será usada para completar o nível do aquário deverá ter o mesmo valor de pH, a mesma temperatura e, se for o caso, a mesma quantidade de sal. Assim evitamos os principais problemas relacionados às trocas de água.
 
CUIDADOS EXTRAS: Muita atenção com o pH e a temperatura da água de reposição. Caso o seu aquário tenha tendência a acidificar rapidamente, ou você utilize injeção de gás carbônico, será conveniente adicionar um condicionador que aumente e estabilize a reserva alcalina, além dos produtos utilizados para neutralização do Cloro, cloraminas e metais pesados.