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Iluminação:

Conforme mencionado em nossa edição anterior, as plantas retiram a energia necessária para seus processos vitais da luz, esta é absorvida por estruturas especializadas denominadas cloroplastos onde sofre uma transformação (de energia eletromagnética em energia química), sendo então aproveitada para efetuar a fotossíntese.
No ambiente natural e nas latitudes tropicais (áreas de clima quente e ensolarado), de onde são originárias quase todas as espécies de plantas que costumamos empregar na decoração de nossos aquários, existe pouca variação de luminosidade no decorrer do ano. Com o nascer do dia e aproveitando-se da energia radiante do sol, as plantas maximizam todas as suas funções vitais, acelerando ao máximo seu metabolismo crescendo e armazenando energia na forma de açúcares (carbohidratos ou hidratos de carbono). Como resultado destes processos há a liberação de oxigênio, que é um subproduto dos processos bioquímicos de síntese clorofiliana. Ao cair da noite, os vegetais entram na fase de repouso e na ausência da luz, cessa totalmente a fotossíntese e o vegetal para de produzir oxigênio, porém continua respirando normalmente, consumindo oxigênio e liberando CO2. Esse ciclo circadiano (nome que é dado ao ciclo dia-noite), deve ser reproduzido em nossos aquários com a utilização de iluminação artificial. Para isso as luzes do aquário, deverão permanecer acesas 12 horas seguidas.
Com a utilização de dois ou mais timers podemos acionar seqüencialmente as lâmpadas simulando os níveis de iluminação naturais, que ocorrem ao nascer do sol, em pleno dia e ao anoitecer. Deve-se evitar acender e apagar as lâmpadas do aquário durante o intervalo correspondente ao período diurno, pois esse procedimento pode prejudicar as plantas e demais seres dependentes da fotossíntese (corais, moluscos, etc.), que por ventura habitem nossos aquários, alterando seu biorritmo natural.
No que diz respeito à lâmpadas que podem ser utilizadas, temos vários fatores a considerar, especialmente quanto ao espectro abrangido, qualidade da luz, temperatura de cor e a intensidade emitida, assim como a eficiência, vida útil e, é claro, custo do sistema escolhido.


- Espectro luminoso:
A luz solar é composta de energia radiante de origem eletromagnética caracterizada por diversos comprimentos de onda, damos o nome de espectro luminoso ou espectro eletromagnético ao conjunto destas ondas. A parte deste conjunto que sensibiliza nossa visão, é denominado espectro luminoso visível, abrangendo desde o vermelho (comprimento de onda de aproximadamente 700 nanômetros) até o violeta (comprimento de onda por volta dos 400 nanômetros). Um nanômetro (nm) equivale a 10-9 de um metro, ou seja, 0,000000001 (um bilionésimo) de metro.

- Qualidade da luz emitida ou índice de reprodução de cores (IRC):
O IRC nos diz o quanto a luminosidade de uma lâmpada se parece com a luminosidade do sol em termos de reprodução das cores reais que o objeto iluminado reflete. Em geral as lâmpadas fluorescentes têm baixos índices de IRC. As melhores condições de IRC são obtidas consorciando-se lâmpadas halógenas e fluorescentes.

- Eficiência:
O fator mais importante para um bom desenvolvimento vegetal é o fornecimento da correta quantidade de radiação luminosa (intensidade do fluxo luminoso). Essa grandeza é medida em lúmens - lm - (que é o quanto de luz flui de uma determinada fonte), ou em Lux - lúmens por m2 - (que é o quanto da luz emitida por essa fonte atinge uma superfície com 1 m2 de área), sendo esta informação, geralmente, impressa na embalagem da lâmpada. A intensidade da luz que atinge uma superfície varia conforme a distância da fonte ao objeto iluminado.
Dividindo-se o fluxo em lúmens ou em Lux pela potência da lâmpada em watts, teremos o seu rendimento ou eficiência.
Por exemplo: Uma lâmpada Aqua-glo de 15 watts, possui (segundo informação fornecida pelo fabricante) um fluxo luminoso equivalente a 35 Lux, portanto seu rendimento é de, aproximadamente, 35 dividido por 15 que é igual a 2,33 Lux por watt, que representa um rendimento muito baixo para uso eficiente em um aquário montado segundo o conceito de Jardim Aquático. Já uma lâmpada Life-glo também de15 watts e do mesmo fabricante, possui um rendimento de 10 Lux por watt, o que já é uma relação bem melhor, ou seja, é interessante utilizar sempre as lâmpadas que apresentem a melhor relação fluxo luminoso/consumo de energia.

- Vida útil:
Tanto as lâmpadas fluorescentes, as lâmpadas halogêneas ou de vapor metálico, apresentam uma redução mais ou menos acentuada da emissão luminosa, assim como, um desvio para a faixa vermelha do espectro emitido após um período variável de tempo de operação. É recomendável a troca das lâmpadas após decorridos 8 ou doze meses de sua instalação ou troca.
Abaixo uma tabela relacionando as espécies de plantas mais usadas em aquário e seu nível ideal de iluminação:

Nível de Iluminação
Intensidade em watts/lúmens/Lux,
por litro
Plantas
Nome científico
Plantas
Nome popular
Promove
Descalcificação
biogênica?
Baixo menos que 0,5 watt/ litro
menos que 30 lúmens/litro
entre 100 e 500 lux/m2
Cryptocorine spp.
Vesicularia dubiana.
criptocorina.
musgo de Java
não
não
Médio entre 0,5 watt e 1 watt/ litro
entre 30 e 50 lúmens/litro
De 500 a 1.000 lux/m2 de área do aquário
Cryptocorine spp.
Anubias spp.
Echinodorus spp.
“ “ “
“ “ “
Microsorum pteropus.
Egeria densa.
Sagitaria spp.
criptocorina.
anúbia.
amazonense.
goianense.
tenelus.
samambaia de Java.
elódea.
sagitária
não
não
não
não
não
não
sim
sim
Alto

acima de 1 watt/ litro.
acima de 50 lúmens/litro.
Acima de 1.000 lux/m2 de área
do aquário

Cabomba spp.
Bacopa spp.
Ceratopteris spp.
Ludwigia spp.
Vallisneria spp.
Nitella spp.
Ceratophyllum spp.
Aponogeton spp.
Salvinia auricullata
cabomba.
bacopa.
samambaia dágua.
ludvigia.
valisnéria.
nitela.
rabo de raposa.
aponogeton.
salvinia
não
não
não
não
sim
sim
sim
não
não

Plantas com folhas coloridas (vermelhas e verdes manchadas de amarelo ou marrom) necessitam de uma quantidade maior de luz do que as plantas com coloração normal (folhas verdes) da mesma espécie.
O erro mais comum no que se refere à iluminação de um aquário tipo Jardim Aquático consiste em usar um número de lâmpadas além do mínimo necessário, sendo também muito freqüente o uso de um espectro inadequado. Porém, o erro mais grave, é tentar compensar lâmpadas de baixa intensidade com um aumento no período em que estas lâmpadas permanecem ligadas. Com uma quantidade insuficiente de intensidade luminosa, as plantas mais exigentes, serão muito prejudicadas, começando a definhar e até mesmo morrer em pouco tempo.
Uma outra propriedade física da luz é sua temperatura de cor, a qual indica o tipo de radiação emitida pela fonte luminosa, essa propriedade não tem nenhuma relação com o calor emitido pela lâmpada. A temperatura de cor se refere à temperatura que um corpo ideal (black body, um corpo que não reflete luz alguma, como por exemplo, uma barra de carbono puro) deve atingir para emitir luz de um determinado comprimento de onda (cor), em outras palavras, quanto maior o aquecimento necessário para emitir luz de uma determinada cor, maior será a temperatura de cor desta luz.
A temperatura de cor é medida em graus absolutos ou graus Kelvin (º K), cuja escala se inicia no zero absoluto (0º K), que corresponde a -273º Celsius. Por mais estranho que possa parecer, as tonalidades consideradas “quentes” (como o amarelo, laranja, vermelho), apresentam uma temperatura de cor relativamente baixa, enquanto que as cores “frias” (azul, violeta, lilás), alcançam altos valores Kelvin. Uma cor amarela alaranjada tem uma temperatura de cor, por volta dos 6 000 º K. Já uma coloração azul céu ultrapassa os 15 000 º K. Nota-se, que nem todas as cores têm sua temperatura de cor correspondente, pois por mais que aqueçamos um corpo negro, este jamais emitirá qualquer tom de verde. Por exemplo:
Experimentos controlados realizados em laboratório determinaram que as radiações “quentes” (próximas do vermelho) fazem com que a planta cresça em altura, ficando espichada, enquanto que as radiações “frias” (azul) promovem o brotamento lateral e o surgimento de um número maior de folhas resultando em uma planta mais “atarracada”.
Uma deficiência na iluminação conduz a doenças caracterizadas por sintomas típicos como caules finos e quebradiços e com entrenós muito distendidos (fenômeno denominado: estiolamento), pecíolos foliares muito alongados, folhas alongadas, frágeis e de coloração -amarelada.
A combinação mais recomendada para iluminar um aquário de plantas, no que diz respeito ao equilíbrio de cores, é o consórcio de lâmpadas que emitem mais ou menos 5.000ºK (Sun-Glo, Life-Glo) com lâmpadas actínicas mistas (Power-Glo, Coralife 50/50, Azoo Tri-Power, Triton).


Características das lâmpadas que podem ser utilizadas em aquários de plantas:

Aqua-Glo (cor lilás muito claro) - média aprox. de 26 lúmens/watt., ou 2,79 Lux/watt.
Desenvolvida para uso em aquários de água doce, intensifica o colorido natural dos peixes, especialmente as tonalidades azuis e vermelhas. Espectro de alto rendimento nos comprimentos azul e vermelho alaranjado, correspondendo aproximadamente à faixa utilizada pelos vegetais superiores para a fotossíntese. Pode ser usada em conjunto com Life-Glo, Flora-Glo ou Sun-Glo, para melhorar o índice de reprodução de cores. Temperatura de cor perto de 18.000ºK.

Sun-Glo (cor branco amarelada) - média aprox. de 57 lúmens/watt., ou 6,42 Lux/watt.
Desenvolvida para simular a luz solar ao meio dia. Uso em Água Doce e Jardins Aquáticos.
Espectro amplo com picos de emissão no azul e no amarelo esverdeado.
Utilizada como única fonte de luz, ou para equilibrar a tonalidade da luminosa em aquários iluminados com fontes de espectro diverso ou incompleto. Temperatura de cor: 4.200ºK.

Power-Glo (cor branco azulada) - média aprox. de 46 lúmens/watt., ou 3,89 Lux/watt.
Desenvolvida para uso em aquários que necessitam de uma fonte de luz de alta intensidade. Normalmente usada nos aquários marinhos em conjunto com Marine-Glo, ou outras lâmpadas actínicas.
Picos de emissão nas faixas azul, verde, verde amarelado, laranja e um pouco de vermelho.
Abrange os comprimentos de onda absorvidos por corais e outros invertebrados marinhos, macro-algas e plantas aquáticas. Temperatura de cor: 18.000ºK.

Flora-Glo (cor branco avermelhada) - média aprox. de 53 lúmens/watt., ou 4,91 Lux/watt.
Desenvolvida para iluminação de aquários de água doce, jardins aquáticos e terrários.
Amplo espectro com picos na faixa azul, azul- esverdeada e verde. Pode ser utilizada em conjunto com Life-Glo, Aqua-Glo ou Sun-Glo. Temperatura de cor: 2.800ºK.

Life-Glo (cor branca, levemente amarelada) - média aprox. de 130 lúmens/watt., ou 10,93 Lux/watt.
Amplo espectro, com picos na faixa azul, azul esverdeada, verde, verde amarelada e laranja.
Desenvolvida para iluminação de aquários de água doce ou salgada, jardins aquáticos, terrários e viveiros de aves. 6.700ºK.


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