Apesar de já termos passado pela idade do ouro do aquarismo (infelizmente, essa afirmação é verdadeira apenas para o nosso país), afirmo, sem medo de errar que os aquaristas do tempo de nossos avós teriam invejado muitas das facilidades, com as quais contamos atualmente. Dentre estas ocupam um lugar de destaque as modernas rações destinadas à alimentação dos peixes.

          Verdadeiros “banquetes enlatados” esses alimentos de alta qualidade são formulados especificamente para preencher as necessidades nutricionais dos peixes que mantemos em nossos aquários. Com o advento de modernas técnicas de fabricação (tomemos como exemplo, a pressurização das embalagens com gases inertes, para evitar a oxidação prematura dos produtos nelas contidos) e um melhor conhecimento das necessidades nutricionais dos peixes (quer sejam estes de hábitos carnívoros, vegetívoros ou onívoros), podemos encontrar alimentos prontos para servir imediatamente.

          A coisa ficou tão fácil que para alimentarmos adequadamente nossos peixinhos, basta abrirmos um potinho e despejar-mos alguns “punhadinhos” de alimento, umas poucas vezes ao dia.

          Isso não foi sempre assim, houve uma época, em que, simplesmente, não havia uma oferta regular de alimentos industrializados e quando os encontrávamos nada mais eram que misturas farináceas cujos ingredientes principais eram fubá e farinhas de sangue e/ou de peixe. Os aquaristas mais dedicados desenvolviam suas próprias receitas caseiras ou adaptavam a famosa fórmula de Myron Gordon.

          O Dr. Gordon foi um geneticista e oncologista (médico especializado no estudo do câncer), que realizou pesquisas, nos idos de 30, 40 e 50 do século passado, com peixes de aquários, notadamente platís e espadas (gênero Xiphophorus). O bom doutor é o responsável pela produção de diversas variedades de espadas e platís que encontramos no comércio, entre estes a variedade negra de espada (variedade naturalmente susceptível a câncer de pele do tipo melanoma).

          Os peixes que habitam os tanques e lagos de jardim (kínguios e carpas) são conhecidos como peixes de água fria e têm necessidades um pouquinho diferentes daquelas dos demais peixes que costumamos manter (com finalidade de ornamentação) em cativeiro. Uma destas, de capital importância, se refere à composição da dieta.

          Tipicamente, os animais obtêm, do alimento que ingerem, diversos nutrientes e vitaminas. Dentre os nutrientes, destacam-se as gorduras, os açúcares (carbohidratos) e as proteínas (que apesar de terem função, principalmente, estrutural - no crescimento e regeneração dos tecidos - também podem ser usadas na produção de energia, quando necessário), que são utilizados para obtenção da energia necessária para a manutenção da vida.

          A proporção relativa destes itens é um pouco diferente da composição média indicada para a grande maioria dos peixes de aquário (ditos tropicais). E, além disso, diferentemente das características ambientais, sempre estáveis, que procuramos manter em nossos aquários, um tanque de jardim (em virtude de sua situação exterior e, conseqüente, exposição às mudanças climáticas), passa por mudanças estacionais, muitas vezes, dramáticas. E, como não poderia deixar de ser, as necessidades nutricionais destes animais irão variar em função destas mudanças.

          Em determinada época do ano (no inverno) convém que o alimento contenha mais energia, enquanto que nos períodos quentes a necessidade de proteínas aumenta em razão do crescimento dos animais, favorecido pelas altas temperaturas.

          Dessa maneira, enquanto uma ração apropriada a um peixe tropical contém um mínimo de 40 a 45 % de seu peso em proteína bruta, em uma ração destinada a kínguios e/ou carpas, este nutriente se resume a valores situados, em média, entre 20 e 35% do peso total do alimento.